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Milhares de pessoas foram às ruas de Cuba ao longo do mês de abril para expressar sua insatisfação com o governo da nação insular, informou o Observatório Cubano de Conflitos (OCC) nesta terça-feira, 5. De acordo com o relatório mensal da ONG, foram 1.133 protestos em todo o país, ocorridos em um momento no qual o regime socialista inicia uma campanha para adesão a uma “campanha de lealdade nacional”.

Embora o número de manifestações tenha sido ligeiramente inferior ao registrado em março (1.245 mobilizações), a insatisfação é resultado de um contexto semelhante: a intensificação da repressão estatal sobre a população. Havana teria estabelecido um toque de recolher em todo o país, utilizando força militar para estabelecer controle em ruas, parques e bairros.

O OCC aponta que 305 protestos foram desafios diretos ao Estado cubano, que tem aumentado a repressão devido a temores de uma ação militar promovida pelos Estados Unidos contra a região. Grande parte das mobilizações foi canalizada por meio das redes sociais e de meios de comunicação independentes, onde os cidadãos denunciaram a militarização das áreas públicas, a existência de presos políticos e uma problemática campanha de lealdade.

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Uma série de relatos coletados pelo Observatório apontam que o governo cubano tem feito pressão em locais de trabalho e centros educativos para que a população coloque sua assinatura na campanha #MiFirmaPorLaPatria. Há denúncias de cidadãos sendo ameaçados com represálias caso se recusem a aderir à mobilização, e a irritação com a iniciativa fez com que um dos vídeos mais viralizados nas redes sociais fosse de um cubano se negando a assinar a peça.

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“Não vou assinar por um único motivo: porque o governo cubano não se importa com este belo povo”, afirma o homem no vídeo.

Como resposta ao alto número de mobilizações, Havana promoveu 176 atos repressivos, que incluem prisões arbitrárias, intimações, interrogatórios e restrições à comunicação. Muitos ativistas, influenciadores e figuras da oposição relataram ter recebido ameaças e serem pressionados para deixar o país.

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Segundo o relatório, as mobilizações ocorrem em um momento de crise multidimensional que afeta todos os setores da vida cotidiana da população cubana. Foram 153 protestos motivados diretamente pelos cortes de energia e pela escassez de água que aflige a nação, enquanto outros 130 dizem respeito diretamente à crise alimentar no país. De acordo com o Programa de Monitoramento Alimentar, 96,91% dos cubanos perderam o acesso a alimentos em decorrência da inflação, e uma em cada quatro pessoas vai dormir com fome.

A saúde pública também é um ponto de destaque, com 61 protestos denunciando a falta de medicamentos, escassez de recursos e pessoal e a deterioração da infraestrutura dos hospitais em Cuba. Outra questão abordada pelos manifestantes também diz respeito à habitação, uma questão problemática no país, que conta com um déficit de mais de 900 mil unidades habitacionais. Foram 19 mobilizações sobre o tema, com populares insatisfeitos com a falta de qualidade das unidades existentes, com relatos de desabamentos fatais e despejos.



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