Você sabe quantos fios de cabelo é “normal” cair por dia? Muita gente acredita que perder 100 fios diariamente é o considerado normal e saudável, e que, se esse número for maior, é sinal de algum problema capilar ou de saúde.
A verdade é que essa ideia não é exatamente um mito, mas também está longe de ser uma regra fixa.
“Em geral, espera-se uma perda diária entre 50 e 100 fios. Isso acontece porque os cabelos passam por fases bem definidas de crescimento, transição e queda, e a fase final, chamada telógena, é justamente quando o fio se desprende para dar lugar a um novo”, explica Ana Carina Junqueira, dermatologista.
Especialistas explicam que a queda capilar varia de uma pessoa para outra e depende de fatores como a densidade capilar, o comprimento dos fios, idade, genética e hormônios.
Mas não é só isso. A época do ano e até mesmo a rotina de lavagem podem impactar na percepção da queda dos fios.
“A percepção dessa queda depende do volume de cabelo, do comprimento dos fios, da fase do ciclo capilar, da idade e até da rotina de lavagem. Quem lava menos vezes por semana, por exemplo, pode notar maior quantidade de fios no banho ou na escova em um único momento, sem isso significar necessariamente uma queda anormal”, acrescenta a dermatologista Ana Carulina Moreno.
Por que os fios caem?
O cabelo passa por um ciclo natural dividido em fases de crescimento, transição e queda. Em condições normais, cerca de 85% a 90% dos fios estão crescendo, enquanto uma pequena parcela já está na fase de queda. É isso que explica a perda diária, que pode, sim, girar em torno de dezenas de fios, mas não segue um número rígido.
Na prática, esse volume pode ser maior ou menor dependendo da individualidade. Pessoas com cabelos mais densos, por exemplo, podem notar uma queda aparentemente maior, sem isso representar um problema. Já quem tem fios mais finos ou em menor quantidade pode perceber a queda com mais facilidade, mesmo que o número absoluto seja menor.
A idade também influencia. Com o passar dos anos, o ciclo capilar tende a ficar mais lento, e os fios podem crescer mais finos e frágeis. Isso não significa necessariamente que mais cabelo cai, mas sim que a reposição pode ser menos eficiente, o que dá a impressão de rarefação ao longo do tempo.
Outro fator importante são os hormônios. Alterações hormonais, como as que ocorrem na puberdade, gravidez, pós-parto ou em distúrbios da tireoide, podem interferir diretamente no ciclo do cabelo. Nessas situações, é comum observar períodos de queda mais intensa, conhecidos como eflúvios, que geralmente são temporários.
“Mulheres costumam perceber mais a queda por terem fios mais longos, o que dá uma sensação de maior volume perdido. Além disso, com o envelhecimento, há mudanças no ciclo capilar que podem levar à redução da densidade dos fios. Questões hormonais também têm impacto relevante, especialmente em momentos como o pós-parto e a menopausa”, detalha Junqueira.
Além disso, há a influência do clima, principalmente no outono. Nessa época, muitas pessoas relatam aumento da queda, um fenômeno chamado eflúvio sazonal. A explicação está na resposta do organismo às mudanças de luz e temperatura. Durante o verão, mais fios permanecem na fase de crescimento, já com a chegada do outono, parte deles entra simultaneamente na fase de queda, tornando a perda mais perceptível.
Apesar de ser considerado um processo natural, é importante observar sinais de alerta. Quedas muito intensas, prolongadas ou acompanhadas de falhas visíveis no couro cabeludo podem indicar desequilíbrios que merecem avaliação médica.
“Nem toda queda pode ser evitada, mas alguns cuidados ajudam a manter a saúde capilar. Manter uma alimentação equilibrada, evitar excesso de procedimentos químicos agressivos, controlar o estresse, cuidar da saúde do couro cabeludo e evitar uso excessivo de calor como secador e chapinha. A automedicação ou o uso indiscriminado de produtos pode piorar o quadro ou mascarar causas importantes”, explica Andressa Vargas Martins, dermatologista.