O governo Lula colheu o que plantou: a recusa ao nome de Jorge Messias para o Supremo não foi um acidente de percurso, mas um erro de cálculo grosseiro. O Planalto simplesmente não mapeou o terreno ou, se mapeou, leu o mapa de cabeça para baixo.
Como é possível uma votação desse porte ocorrer sem que o governo soubesse que seria massacrado no Senado?
A análise de bastidor revela um Supremo dividido – além de exposto. O erro do governo foi acreditar que o STF trabalharia como um rolo compressor a favor de Messias. Pelo contrário: figuras de peso se opuseram à indicação, temendo que ela fortalecesse o grupo rival dentro da Corte.
Essa “guerra fria” nas poltronas de veludo do STF teve um peso específico que o governo ignorou solenemente. Enquanto o Planalto achava que tinha aliados, Messias foi sacrificado no altar das disputas internas do Judiciário e da inabilidade política do Executivo.
Para completar o cenário de desolação, a derrota na dosimetria, ocorrida logo em seguida, já estava “mais do que cantada”. O governo entrou em campo sabendo que perderia, mas sem qualquer estratégia para conter o estrago. A direita, com razão, deita e rola sobre os escombros da articulação lulista e já colhe os frutos dessa desorganização.
O governo precisa urgentemente aprender a ler o tabuleiro antes de mover a próxima peça, ou continuará colecionando derrotas “memoráveis”.