
Ler Resumo
O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, disse nesta segunda-feira, 4, que os líderes europeus “entenderam o recado” depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou planos para remover milhares de soldados americanos estacionados em países europeus, como Alemanha, Espanha e Itália.
Em novo sinal de frustração contra a Otan, o ocupante do Salão Oval voltou a acusar a organização de não fazer o suficiente para apoiar Washington na guerra contra o Irã, o que descreveu como “covardia”, enquanto seu governo estuda possíveis punições aos aliados. Antes de uma reunião da Comunidade Política Europeia (CPE), na Armênia, Rutte reconheceu nesta segunda a “decepção por parte dos Estados Unidos”.
“Os líderes europeus entenderam a mensagem. Eles ouviram a mensagem alta e clara”, declarou ele. “Os europeus estão se mobilizando, um papel maior para a Europa e uma Otan mais forte”, acrescentou.
Na última sexta-feira, o Pentágono anunciou a retirada de 5 mil soldados americanos da Alemanha, dias depois do chanceler Friedrich Merz ter dito que os Estados Unidos estavam sendo “humilhados” pelo Irã durante as negociações para o fim da guerra.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, considerou o anúncio uma “surpresa”.
“Acho que isso demonstra que precisamos realmente fortalecer o pilar europeu na Otan. Precisamos fazer mais”, afirmou, enfatizando que “os militares americanos não estão na Europa apenas para proteger os interesses europeus, mas também os interesses americanos”.
Durante o fim de semana, a porta-voz da Otan, Allison Hart, afirmou que autoridades dos 32 Estados-membros “estão trabalhando com os Estados Unidos para entender os detalhes de sua decisão sobre o posicionamento das forças na Alemanha”.
“Intervenção militar perigosa”
As críticas europeias à guerra contra o Irã aumentaram nas últimas semanas, enquanto o conflito continua provocando estrondos na economia global devido ao fechamento do nevrálgico Estreito de Ormuz, por onde costumam passar 20% do gás e petróleo consumidos pelo mundo.
Na semana passada, Merz comparou a guerra a outros impasses militares, como as invasões americanas do Iraque e do Afeganistão.
“No momento, é uma situação bastante complexa e isso está nos custando muito dinheiro. Este conflito, esta guerra contra o Irã, tem um impacto direto em nossa produção econômica”, disse ele.
A Espanha se recusou a permitir que os Estados Unidos usassem seu espaço aéreo ou bases militares para lançar ataques a Teerã. O primeiro-ministro do país, Pedro Sánchez, condenou a guerra “injustificada”, declarando que a “intervenção militar perigosa” está fora do âmbito do direito internacional.
Em resposta, Trump afirmou que seu governo tem sido “terrível” e ameaçou romper todas as relações comerciais com Madri.
Apesar disso, Rutte afirmou que “cada vez mais” nações europeias estão posicionando recursos como caça-minas e navios de varredura de minas perto do Golfo para estarem prontas para a “próxima fase” da guerra, apesar de não ter fornecido mais detalhes. Membros da União Europeia já haviam adiantado que não ajudariam a policiar o Estreito de Ormuz até que a guerra fosse concluída.
Aumento dos gastos com defesa
Muitos países europeus se comprometeram a aumentar os gastos com defesa diante dos temores sobre o compromisso de Trump com a Otan, um risco alto em meio à guerra em curso da Rússia contra a Ucrânia. Essa iniciativa foi reforçada por diversos líderes na capital armênia.
“Os europeus estão tomando as rédeas do próprio destino, aumentando seus gastos com defesa e segurança e construindo suas próprias soluções comuns”, disse o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Precisamos aprimorar nossas capacidades militares para sermos capazes de nos defender e nos proteger”, declarou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a jornalistas.