Belo Horizonte — A redução de profissionais no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Belo Horizonte mudou a composição das ambulâncias na capital mineira. Com os cortes anunciados pela prefeitura, 13 das 22 Unidades de Suporte Básico (USBs) passaram a operar com apenas um técnico de enfermagem por plantão. Outras nove seguem com dois técnicos.

Ao todo, segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Belo Horizonte, o Samu da capital contará com 677 profissionais distribuídos em 28 ambulâncias: 22 USBs e seis Unidades de Suporte Avançado (USAs).

Antes dos cortes, as ambulâncias de suporte básico funcionavam com um motorista e dois técnicos de enfermagem. Com a mudança, parte da frota passa a ter um profissional a menos na equipe assistencial.

A medida determinou o desligamento de 33 técnicos de enfermagem contratados em caráter temporário e emergencial durante a pandemia de Covid-19, em 2020. Segundo a prefeitura, o encerramento dos contratos já estava previsto desde o início, e a composição das equipes segue protocolos do Ministério da Saúde.

O corte, no entanto, é alvo de críticas. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) entrou com uma ação civil pública, com pedido de liminar, para tentar suspender a decisão. Para o órgão, a redução pode comprometer a continuidade e a qualidade do atendimento de urgência na capital.

Após os cortes feitos em 30 de abril, na madrugada desse sábado (2/5), uma única ocorrência precisou ser atendida por três ambulâncias do Samu. A situação revelou um cenário de preocupação diante da possível falta de efetivo adequado para atender a população.

Como fica a composição

Com a reorganização, o Samu de BH fica assim:

Das 28 ambulâncias, seis serão Unidades de Suporte Avançado, usadas em atendimentos mais graves e com equipe médica. Outras 22 serão Unidades de Suporte Básico.

Entre as USBs, 13 terão apenas um técnico de enfermagem por plantão. As outras nove contarão com dois técnicos, como ocorre atualmente em toda a frota de suporte básico.

Demora e prejuízo nos atendimentos

Na avaliação do MPMG, a redução ocorre em um momento considerado sensível para a saúde pública da capital. A ação cita que a própria prefeitura decretou situação de emergência em saúde pública em abril, por causa do aumento de casos de síndromes respiratórias.

O Ministério Público também afirma que o Samu já atuaria fora das condições ideais. Segundo a ação, o serviço atende uma população de mais de 2 milhões de habitantes em Belo Horizonte, com tempo médio de atendimento entre 40 e 50 minutos, podendo chegar a quatro horas em períodos de alta demanda.

Para o órgão, reduzir equipes nesse cenário pode aumentar o risco de demora ou prejuízo no atendimento à população.

O que diz a Prefeitura de BH

A prefeitura afirma que os profissionais desligados foram contratados de forma temporária durante a pandemia e que os contratos emergenciais chegaram ao fim. O Executivo municipal também sustenta que a nova configuração das equipes segue os parâmetros previstos pelo Ministério da Saúde para o funcionamento do Samu.



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