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Os líderes europeus e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, se reuniram na Armênia nesta segunda-feira, 4, com o objetivo de estreitar seus laços, unidos por uma relação abalada com os Estados Unidos. O encontro marca a primeira vez que um líder não europeu participa da cúpula da Comunidade Política Europeia (CPE), que reúne quase todos os países do velho continente duas vezes por ano, com exceção da Rússia e Belarus.

“Líderes de todo o continente, com o Canadá como convidado, discutirão como cooperar para fortalecer a segurança e a resiliência coletiva”, escreveu o presidente do Conselho Europeu, António Costa, nas redes sociais ao chegar à capital armênia no domingo.

Ruptura e um ‘mundo brutal’

Na abertura da cúpula, Carney falou sem escrúpulos. “Não acreditamos que estejamos destinados a nos submeter a um mundo mais transacional, insular e brutal, e encontros como este apontam para um caminho melhor a seguir”, disse ele. “É minha firme convicção pessoal que a ordem internacional será reconstruída, mas será reconstruída a partir da Europa.”

Ele enfatizou que o encontro é uma demonstração da defesa de uma ordem internacional baseada em regras, e também “do valor da nossa força”. “O mundo está passando por uma ruptura em várias dimensões – a integração está sendo usada como arma por alguns e as regras não estão restringindo potências hegemônicas”, alertou.

Aliança tensionada

A cúpula ocorre em meio a tensões crescentes com os Estados Unidos sob o comando de Trump, que impôs tarifas comerciais sobre os longevos aliados na Europa e ao vizinho Canadá. O plano do presidente para remover mais de 5.000 soldados americanos da Alemanha no próximo ano, o impacto econômico da guerra EUA-Irã nas economias ocidentais e o apoio financeiro à Ucrânia estarão entre os principais tópicos de discussão durante o evento em Yerevan, capital armênia.

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Os europeus também se comprometeram a reforçar as suas próprias capacidades de defesa. A retirada das tropas americanas da Alemanha “demonstra que devemos realmente fortalecer o pilar europeu da Otan e que devemos fazer mais”, afirmou a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas. Ela foi ecoada pelo presidente francês, Emmanuel Macron, que garantiu que “os europeus estão tomando as rédeas do próprio destino, aumentando seus gastos com defesa e segurança e construindo suas próprias soluções em comum”.

Em discurso em Yerevan, Keir Starmer, o primeiro-ministro britânico, reconheceu: “Não podemos negar que algumas das alianças nas quais confiamos não estão no patamar que gostaríamos. Há mais tensão nessas alianças do que deveria haver.” A forma como os líderes responderem às tensões entre aliados “definirá o que acontecerá por muitos anos, possivelmente por uma geração”, acrescentou ele.

Local simbólico

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e o chefe da Otan, Mark Rutte, também participam da reunião (este último, conhecido por tentar amansar o presidente americano, sugeriu que compreende a “decepção por parte dos Estados Unidos” com a relutância da Europa em apoiar a guerra contra o Irã e afirmou que os europeus “entenderam o recado”). O chanceler alemão, Friedrich Merz, que comprou briga com Trump nos últimos dias, notadamente está ausente. 

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A Armênia, antiga integrante da União Soviética, tenta estreitar sua relação com a União Europeia. Em 2025, o governo aprovou uma lei que oficializa a intenção de pedir adesão ao bloco europeu, dando continuidade ao acordo de associação firmado em 2017 — embora o pedido ainda não tenha sido formalizado. O local foi escolhido como forma de demonstrar a determinação da Europa em impedir que o pequeno país do Cáucaso seja arrastado de volta para a órbita da Rússia.

O presidente russo, Vladimir Putin, por sua vez, já alertou o primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan, de que uma eventual entrada de seu país no bloco europeu seria “simplesmente impossível” devido aos vínculos entre as economias de Yerevan e Moscou.



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