Representantes da comunidade judaica apresentaram um pedido formal ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), no último dia 30 de abril, pela ampliação do horário de votação do primeiro turno das eleições gerais, no dia 4 de outubro. A expectativa é que a medida se aplique à seções pré-determinadas em ao menos dez cidades.

A solicitação surge pois a data da primeira rodada de votações das eleições de 2026 coincide com o feriado judaico Simchat Torá.

Judeus ortodoxos e observantes que seguem estritamente as regras propostas para dias sagrados, chamados de Yom Tov, cumprem restrições religiosas como não dirigir, não escrever e não utilizar dispositivos eletrônicos.

Seguindo a tradição judaica, estes feriados têm início ao pôr do sol de um dia e se estendem até o anoitecer do dia seguinte.

Em 2026, a data será comemorada entre os dias 3 e 4 de outubro. Como o horário de votação se encerra às 17h do horário de Brasília em todo o país, enquanto o anoitecer está previsto para às 18h40, parte da comunidade judaica não poderia comparecer ao pleito sem descumprir o previsto em sua religião.

Segundo a Conib (Confederação Israelita do Brasil), há aproximadamente 120 mil judeus no Brasil.

O pedido é que, em seções pré-determinadas, onde há maior presença da comunidade judaica, o horário de votação seja estendido até às 20h.

Os eleitores, inclusive aqueles que não são judeus e que não possam comparecer durante o horário convencional da votação, poderiam se cadastrar para acessar as seções com horário ampliado.

A advogada Monica Rosenberg, porta-voz do movimento que apresentou a petição, afirma que a expectativa é que a medida seja aplicada ao menos nas dez cidades com maior número de judeus, segundo dados do Censo.

Em nota à imprensa, o movimento reforça que “a iniciativa não pede o adiamento das eleições nem qualquer alteração na data do pleito. O pedido é pontual: que seções eleitorais em locais estratégicos próximos a comunidades judaicas possam receber eleitores até as 20h, após o encerramento do feriado”.

Rosenberg diz que a solicitação é simbólica ao defender que uma parte da população não precise abrir mão de suas convicções religiosas para exercer o voto.

“Ninguém deveria ter que escolher entre a fé e o voto. Esse não é um pedido de privilégio: é uma solicitação de um direito que deveria se estender a todas as religiões e suas datas sagradas. Democracia de verdade é quando ninguém fica de fora.”

A advogada afirma que o processo é “bastante amigável” e que o TSE é “soberano“. “Nossa obrigação é apresentar o problema que existe e que talvez eles nem soubessem.” O movimento também apresentará um abaixo-assinado online sobre o tema.

O feriado do Simchat Torá, que significa “alegria da Torá”, comemora a conclusão e o reinício do ciclo anual de leitura da Torá, livro sagrado do judaísmo.

*Sob supervisão de Lucas Schroeder



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