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A Áustria determinou a expulsão de três diplomatas russos por espionagem nesta segunda-feira, 4. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores austríaco, os oficiais foram declarados persona non grata por suspeita de realizar operações de espionagem através de uma “floresta de antenas” localizada nos telhados de prédios diplomáticos da Rússia em Viena.
“É inaceitável que a imunidade diplomática seja utilizada para cometer espionagem”, disse a ministra das Relações Exteriores austríaca, Beate Meinl-Reisinger. “Comunicamos isso ao lado russo de forma inequívoca, inclusive em relação à floresta de antenas na missão russa.”
Com a expulsão do trio de representantes da embaixada, o número de diplomatas russos enviados de volta a Moscou pelo governo austríaco desde 2020 chega a 14. O episódio desta segunda foi descrito como “ultrajante” e “injustificado” pela missão da Rússia em Viena, que prometeu uma retaliação. “Moscou, sem dúvida, reagirá severamente a essas ações completamente imprudentes por parte da Áustria”, advertiu a embaixada russa em comunicado.
Segundo informações da emissora austríaca ORF, os equipamentos instalados nas residências diplomáticas russas estavam sendo utilizados para desviar dados de organizações internacionais e nacionais que utilizavam internet via satélite. Sede de instituições multilaterais como a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), a Agência Internacional de Energia Atômica (AEIA) e a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, Viena sofre com a espionagem russa há tempos.
Estimativas divulgadas pelo jornal britânico The Guardian apontam haver cerca de 7 mil agentes secretos infiltrados entre os diplomatas fixados na metrópole, e muitas embaixadas estrangeiras supostamente utilizam Viena como base das atividades de inteligência na Europa. Isso se deve a uma brecha no código penal da Áustria, que permite a atuação livre de espiões no país, desde que suas ações não visem diretamente os interesses do país. Como resultado, a capital austríaca se tornou o principal polo de espionagem no Velho Continente.
“As opções legais muito limitadas disponíveis para combater a espionagem levam a uma incidência extremamente alta de inteligência estrangeira e serviços secretos no país”, definiu a ex-agência de inteligência doméstica austríaca BVT em um de seus relatórios anuais.
No entanto, essa postura tem mudado nos últimos anos. O governo tripartite que lidera a Áustria, formado pelo conservador Partido Popular (ÖVP), Social-Democratas (SPÖ) e pelos liberais de Meinl-Reisinger (Neos), vem elaborando uma legislação para tornar crime qualquer espionagem contra a União Europeia ou organizações internacionais. De acordo com Beat Meinl-Reisinger, Viena vem tomando “medidas consistentes” e há uma “mudança de rumo” em andamento.