
Os países aliados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, conhecidos como Opep+, anunciaram neste domingo, 3, que vão aumentar a sua produção de petróleo. A decisão consiste em um incremento de 188 mil barris por dia a partir de junho deste ano. Os países membros do grupo frisam, contudo, que o plano pode ser revisto a depender da evolução do mercado de petróleo, ainda muito pressionado pelo fechamento do Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico.
O entendimento para aumentar a produção de petróleo envolve sete países membros da Opep+, sendo eles Arábia Saudita, Iraque, Kuwait, Argélia, Cazaquistão, Rússia e Omã. Se confirmado, será o terceiro aumento mensal consecutivo da produção.
O fechamento do Estreito de Ormuz em decorrência da guerra no Irã faz com que o provável aumento na produção de petróleo seja simbólico para os países da região, uma vez que o escoamento da produção segue comprometido. Até o final de abril, o petróleo do tipo Brent, referência de preço, estava cotado em cerca de 108 dólares por barril. Antes da eclosão da guerra, quando os EUA e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, a cotação girava em torno de 70 dólares por barril.
O movimento ocorre em meio à saída dos Emirados Árabes Unidos (EAU) do principal cartel do setor, a Opep. Os emirados anunciaram a sua saída na última semana e deixaram oficialmente a organização no dia 1 de maio. A saída dos EAU faz com que a Opep e seus aliados (Opep+) totalizem 21 membros.
O cartel não comentou sobre a saída dos EAU no comunicado divulgado neste domingo, se atendo apenas ao anúncio sobre o aumento da produção.
Leia na íntegra o último comunicado da Opep à imprensa (traduzido para o português):
Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã ajustam produção e reafirmam compromisso com a estabilidade do mercado
Os sete países da OPEP+, que haviam anunciado anteriormente ajustes voluntários adicionais em abril e novembro de 2023 — a saber, Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã — reuniram-se virtualmente em 3 de maio de 2026 para revisar as condições e as perspectivas do mercado global.
Em seu compromisso coletivo de apoiar a estabilidade do mercado de petróleo, os sete países participantes decidiram implementar um ajuste de produção de 188 mil barris por dia a partir dos ajustes voluntários adicionais anunciados em abril de 2023. Esse ajuste será implementado em junho de 2026, conforme detalhado na tabela abaixo. Os ajustes voluntários adicionais anunciados em abril de 2023 poderão ser revertidos parcial ou totalmente, de acordo com a evolução das condições de mercado e de forma gradual. Os países continuarão monitorando e avaliando de perto as condições do mercado e, em seus esforços contínuos para apoiar a estabilidade, reafirmaram a importância de adotar uma abordagem cautelosa e manter total flexibilidade para aumentar, pausar ou reverter a retirada dos ajustes voluntários de produção, incluindo a reversão dos ajustes previamente implementados anunciados em novembro de 2023.
Os sete países da OPEP+ também observaram que essa medida proporcionará uma oportunidade para que os países participantes acelerem sua compensação. Os sete países reiteraram seu compromisso coletivo de alcançar plena conformidade com a Declaração de Cooperação, incluindo os ajustes voluntários adicionais de produção, que serão monitorados pelo Comitê Ministerial Conjunto de Monitoramento (JMMC). Eles também confirmaram a intenção de compensar integralmente qualquer volume produzido em excesso desde janeiro de 2024.
Os sete países da OPEP+ realizarão reuniões mensais para revisar as condições do mercado, a conformidade e a compensação. Os sete países se reunirão em 7 de junho de 2026.