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Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrentou forte resistência de líderes do centro e da direita quando anunciou ter sido escolhido pelo pai para concorrer ao Palácio do Planalto.

Ecoando uma análise corrente entre governistas, setores da oposição diziam que o parlamentar seria facilmente derrotado por Lula. Alguns até afirmavam que Bolsonaro tinha ungido o rebento para que ele perdesse — ou para que o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas, não tivesse chance de assumir o patrimônio eleitoral do capitão e vencer a sucessão presidencial. Tarcísio, como se sabe, era o nome preferido de expoentes do Centrão e do empresariado para enfrentar o Partido dos Trabalhadores, mas Bolsonaro preferiu apostar no filho.

Por enquanto, deu certo. As pesquisas mostram Lula e Flávio Bolsonaro empatados tecnicamente nas simulações de segundo turno, com o senador numericamente à frente no Datafolha e na Genial/Quaest. A dúvida sobre a competitividade do Zero Um ficou para trás. Outras desconfianças, no entanto, continuam.

Menino de recado

Desde a prisão de Jair Bolsonaro, que está cumprindo em regime domiciliar a pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado, Flávio Bolsonaro se tornou, além de candidato, porta-voz do pai. Por estar listado no Supremo Tribunal Federal entre os advogados do ex-presidente, ele pode visitá-lo todos os dias em encontros de no máximo trinta minutos.

Depois dessas reuniões, o parlamentar costuma anunciar candidaturas Brasil afora — de senadores, por exemplo — e mandar recados a aliados. O problema é que muitos se recusam a seguir o que Flávio Bolsonaro fala supostamente em nome de Jair. Há quem duvide de que o ex-presidente é de fato o autor da mensagem ou ordem repassada. Também não são poucos aqueles que só batem continência para o capitão e resistem a seguir orientações de seu filho.

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Um exemplo doméstico ilustra a situação. De olho num palanque forte no oitavo maior colégio eleitoral do país, Flávio Bolsonaro anunciou apoio à candidatura do ex-ministro Ciro Gomes ao governo do Ceará. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não concordou com a decisão e manteve o endosso à pré-candidatura do senador Eduardo Girão ao posto.

Cabo eleitoral de peso entre eleitoras evangélicas, Michelle também costuma enaltecer o trabalho do senador Espiridião Amin e da deputada Caroline de Toni, que disputarão com Carlos Bolsonaro as duas vagas ao Senado que serão definidas em Santa Catarina. Apesar de ter crescido em intenções de voto, Flávio Bolsonaro ainda tem sua autoridade de porta-voz e articulador contestada internamente.



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