A oposição deitou e rolou nos últimos dias tentando emplacar a narrativa de que o governo Lula acabou após as derrotas consecutivas no Congresso.
Mas, para quem olha além do cercadinho digital, o cenário pode ser outro. O fato é que a “sessão histórica” da dosimetria, que reduziu as penas dos golpistas de 8 de janeiro não é taxativa em termo eleitorais. O cidadão está mais preocupado com o preço do feijão e o saldo da conta bancária no fim do mês.
A grande verdade é que derrota no Congresso, por mais dolorosa que seja para a articulação política do Planalto, raramente decide eleição. O eleitor não vota para punir ou premiar quem ganhou uma votação técnica em Brasília. Ele vota no “bolso”. Se a economia cresce e a segurança melhora, a derrota do governo na dosimetria será apenas uma nota de rodapé esquecida até outubro. A oposição cria o factoide, o governo denuncia a “traição”, mas o jogo real se resolve na mesa do trabalhador.
No entanto, há um dado concreto que não pode ser ignorado: o novo cálculo da pena de Jair Bolsonaro. Com a derrubada do veto presidencial, o tempo de regime fechado para o ex-presidente – preso desde novembro de 2025 – pode cair drasticamente. A projeção agora aponta para pouco mais de 3 anos, o que permitiria uma migração para o regime aberto já em janeiro de 2028. É um alento para o clã Bolsonaro, mas uma vitória incompleta.
Apesar da redução da pena, a inelegibilidade de Bolsonaro continua intacta e por muitos anos. Ele pode até sair da cela mais cedo, mas continuará assistindo ao jogo da arquibancada.
Enquanto a direita tenta vender a ideia de que o governo está nas cordas, Lula ganha tempo para decidir o substituto de Jorge Messias. O presidente sabe que o eleitor é pragmático e que a gritaria de Brasília é apenas ruído perto do silêncio de quem realmente decide a eleição.