Principais líderes políticos do país, Lula e Jair Bolsonaro vivem momentos distintos nas relações que mantêm com suas respectivas bases. Exercendo seu terceiro mandato na Presidência da República, o petista exige obediência e união totais no PT em torno de suas decisões. Como um general graduado, ele manda, e a tropa bate continência. Sem contestação.

Foi por ordem de Lula que o PT decidiu suavizar seu manifesto lançado após recente congresso partidário. No texto, o partido amenizou as críticas ao sistema financeiro, poupou o Banco Central e não retomou os ataques ao suposto “austerícidio” que teria sido cometido pelo ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, agora candidato ao governo de São Paulo.

Para fortalecer a candidatura à reeleição de Lula, o PT também abriu mão de disputar governos estaduais. Em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, o segundo e o terceiro maiores colégios eleitorais do país, o partido pretende apoiar nomes do PSB e do PSD para o Executivo local. “O nosso papel histórico é eleger o presidente Lula, e a sua eleição significa a vitória da democracia e a derrota do fascismo”, afirmou o comandante do PT, Edinho Silva. 

Cada um por si

Na direita, a situação é diferente. Com Jair Bolsonaro em regime de prisão domiciliar e impossibilitado de negociar livremente alianças eleitorais,  a tropa oposicionista se entregou a uma espécie de cada um por si, que parece longe de terminar. Hoje, o grupo tem três presidenciáveis, cada um com uma estratégia eleitoral específica.

Também sobram disputas fratricidas e intrigas pessoais. Nos últimos dias, filhos do capitão criticaram o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), o principal nome da direita no universo digital, e ainda alimentaram desavenças com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que nunca foi entusiasta da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência e de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina.

Continua após a publicidade

“Quando tinha a oportunidade de conversar com o partido, o presidente Bolsonaro, pelo fato de dar a última palavra, de ser alguém respeitado por todos, facilitava a mediação de eventuais conflitos ou diferenças dentro do grupo. O fato de ele estar impedido hoje de conversar com o partido certamente gera um pouco mais de dificuldade”, reconhece o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha à Presidência de Flávio Bolsonaro.

Mesmo com a soldadesca unida sob seu comando, Lula perdeu o favoritismo na corrida presidencial. A direita — com suas tropas desarticuladas — se mostra cada vez mais competitiva. Segundo as pesquisas, Flávio Bolsonaro está empatado com o petista nas simulações de segundo turno, mas já aparece numericamente à frente em algumas delas. Já os ex-governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado estreitaram a desvantagem em relação ao presidente.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *