Após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrar reconhecimento da gestão paulista por aportes do governo federal em construções no estado, o governador de São Paulo,Tarcísio de Freitas (Republicanos), amenizou o tom em relação à paternidade de obras no estado em parceria com a União. Nesta quinta-feira (30/4), ele disse que é preciso “diminuir o conflito” com o governo federal.
O chefe do Palácio dos Bandeirantes chegou a reagir à cobrança do petista, dizendo-se acostumado a “ouvir bobagens” do presidente, que havia reforçado críticas feitas antes pelo presidente do BNDES, Aloisio Mercadante, em evento do anúncio de instalação da fábrica chinesa de trens CRRC Brasil, em Araraquara (SP). O ex-ministro cobrou presença e assinatura de Tarcísio no negócio.
Agora, ao se pronunciar sobre o túnel Santos-Guarujá, previsto para 2031, Tarcísio relembrou que se trata de uma construção esperada há mais de 100 anos, e que o governo federal entrou com aporte de 50% para a realização.
“Vamos trabalhar em cooperação para fazer com que a obra saia. Esse é o nosso grande objetivo. Não é ficar disputando paternidade de obra, disputando propaganda; é fazê-la acontecer, porque, do contrário, ela não vai acontecer”, afirmou.
“A obra é nossa, claro. O governo federal participa, ajuda; é bem-vinda a ajuda. Nós somos aqui pragmáticos. Apoio do governo federal sempre será bem-vindo”, acrescentou o governador.
A fala ocorreu durante entrevista coletiva, em agenda na cidade de Santos, no litoral do estado. Na ocasião, o governador entregou 60 moradias do projeto-piloto Parque Palafitas, em parceria com a prefeitura local.
“Na hora que a gente definiu que o estado de São Paulo ia ser um poder concedente, e o presidente da República concordou conosco, e é por isso que o convênio de delegação saiu, a gente dizia para o presidente, e ele concordou: a gente tem que olhar, em primeiro lugar, o interesse do cidadão”, disse.
A paternidade de obras compartilhadas no estado foi tema da primeira inserção partidária de Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao governo de São Paulo, em que cita repasses para expansão do metrô e melhoria de estradas em São Paulo.
Na esteira da polêmica, a pré-candidata ao Senado por São Paulo, a ex-ministra Simone Tebet, chamou o governador de “ingrato”.