
À frente da nova temporada do Café Filosófico, da TV Cultura, Tainá Müller se interessava pela disciplina desde a escola. Diagnosticada com altas habilidades e superdotação ao 5 anos de idade, a atriz e apresentadora enxerga nos questionamentos dos filósofos uma forma de alimento para o cérebro acelerado. “Fiz uma pós em filosofia, mas nunca tive pretensão acadêmica . Sempre foi sobre buscar conhecimento e tentar entender o mundo”, contou ela, atestando que encontrou seu lugar no programa.
Em conversa com VEJA pouco antes da estreia na Cultura, a atriz de 43 anos se abriu sobre as dificuldades da falta de acompanhamento na infância, a visão equivocada sobre a superdotação e celebrou a atenção que o diagnóstico tem recebido nos últimos anos. Confira os detalhes na entrevista:
Recentemente, você revelou nas redes sociais que foi diagnosticada com altas habilidades e superdotação aos 5 anos de idade. Como foi esse processo? Aprendi a ler sozinha aos 3 anos. Lembro que as vezes eu estava no meio daquelas aquelas rodas de adultos, ainda muito pequena, com eles me pedindo para ler. E eu não entendia porque achavam aquilo tão diferente. Eu também tinha muita dificuldade adaptação na creche, porque não conseguia brincar com as crianças da minha idade. Minha mãe achava que eu não ia me adaptar na pré-escola, porque eu já sabia ler, escrever, fazer algumas contas. Ela procurou a direção do colégio e a diretora me encaminho a um especialista que me diagnosticou. Com isso, me colocaram direto na primeira série, o que acabou adiantando toda a minha vida escolar. Eu sempre fui a mais nova da turma. Entrei na faculdade aos 16 anos, e não podia nem ir às festas.
Muita gente vê a superdotação como um dom que só traz vantagens. Concorda com isso? Não. É uma visão errada. É só uma forma diferente de funcionamento do cérebro. Há facilidade em algumas áreas, mas dificuldade e muita intensidade em outras. Eu demorei muito para fazer amigos na escola. Fui começar a brincar com crianças da minha idade só na quarta série. Passava o recreio sozinha e sofria bullying, porque era meio esquisita, falava muito nas aulas de história e era muito participativa. Todo esse processo teve um custo emocional para mim
Como se sente vendo esse tema ser debatido hoje em dia? Fico feliz. Tenho 43 anos e só agora vejo isso acontecer. Na época, não me ofereceram nenhum tipo de acompanhamento psicopedagógico. Acho que se eu tivesse passado por um acompanhamento, em vez de só ser adiantada na escola, minha vida teria sido um pouco mais tranquila.
Qual é a sensação de ter um espaço para explorar suas inquietações na televisão? É incrível. Eu encontrei meu lugar. Brinco que tenho cócegas cerebrais de prazer no Café, porque estar ali me alimenta. Meu cérebro relaxa e encontra vazão para a árvore de pensamentos que ele monta o tempo todo.
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