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Começou esta semana na Califórnia uma disputa judicial entre dois gigantes da tecnologia. Elon Musk, bilionário dono da SpaceX e do X (antigo Twitter), e Sam Altman, CEO da OpenAI, empresa criadora de um dos maiores modelos de linguagem do mundo, o ChatGPT, deram início a um processo que pode mudar o rumo da empresa controlada por Altman. Musk acusa a OpenAI de trair sua missão original, desenvolver inteligência artificial (IA) sem fins lucrativos.

Em 2015, Musk foi incentivado por Altman a investir milhões de dólares no projeto de um laboratório sem fins lucrativos para a criação de IAs, o que levou o bilionário a se tornar cofundador do projeto. Diferenças internas sobre quem deveria controlar essa iniciativa foram um dos motivos que levaram Musk e a se retirar do ambiente, o que permitiu que Altman Grerg Brockman, fundadores oficiais da empresa, se estabelecessem como o foco do poder da OpenAI.

Hoje avaliada em 852 bilhões de dólares (ou cerca de 4,2 trilhões de reais), a gigante da IA não deixou, ao menos completamente, seu lado “sem fins lucrativos”. Em 2019, a Open AI criou uma subsidiária com lucros limitados, para captar investimentos de outras empresas que quisessem se envolver com seus trabalhos. Com lucro limitado a 100 vezes o investimento inicial ou ao preço da ação, a subsidiária agora atua como uma corporação de benefícios — tipo de empresa no contexto americano que busca o lucro com objetivos sociais envolvidos.

Foto de protesto em frente ao local em que corre o processo.
Fora do tribunal em que acontecem as primeiras argumentações das partes, manifestantes se organizaram para demonstrar suas opiniões acerca do tema. (Benjamin Fanjoy/Getty Images)

O principal argumento de Musk no processo é que o objetivo altruísta que o convenceu a investir na OpenAI de início se perdeu. Com um pedido de indenização na casa dos 130 bilhões de dólares, o bilionário abriu mão do valor logo de início e declarou que qualquer valor indenizatório seria doado a OpenAI sem fins lucrativos.

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Caso a justiça americana considere que a empresa de Altman divergiu de seu papel inicial, ela pode ser obrigada a se desfazer da sua estrutura focada no lucro, alterar quem controla a companhia e esse resultado pode até remodelar como caridades e doações para fins tecnológicos funcionam no Estados Unidos.

Declarações do caso

Os membros do júri já foram selecionados na segunda-feira, e hoje, 28, acontecem os primeiros argumentos de Musk e de Altman. De acordo com o advogado de Altman e Brockman, William Savitt, eles “estão confiantes em sua posição e esperam que se conheçam os fatos”.

Apesar do processo abordar um acontecimento factual, as disputas pessoais entre Sam e Elon também são parte subentendida do processo. Pouco antes dos primeiros desdobramentos, o site da OpenAI apareceu com um comunicado sobre os princípios da empresa.

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Musk também não ficou por baixo. Nas redes sociais, ele publicou uma mensagem chamando o CEO da OpenAI de “Scam Altman”, trocadilho com seu nome a palavra em inglês para fraude, scam.

A empresa já declarou, em seu X, que o processo de Elon “nada mais é do que uma campanha de intimidação motivada por ego, inveja e o desejo de sufocar uma concorrente”.

O resultado final sairá até o fim de maio, por decisão da juíza Yvonne Gonzales Rogers, com base nas conclusões do júri.



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