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Os Emirados Árabes Unidos abandonarão a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), liderada pela Arábia Saudita, e a aliança Opep+, da qual países como a Rússia e o Brasil também fazem parte, a partir de 1º de maio, anunciou nesta terça-feira, 28, a agência de notícias oficial do país.

“Esta decisão reflete a visão estratégica e econômica de longo prazo dos Emirados Árabes Unidos e a evolução do seu perfil energético, em particular a aceleração dos investimentos na produção de energia nacional”, informou a agência Wam. “Os Emirados Árabes Unidos continuarão a agir com responsabilidade, levando a produção adicional ao mercado de forma gradual e ponderada, em consonância com a demanda e as condições de mercado”, acrescentou.

Autoridades emiradenses já vinham cogitando a ideia de deixar o cartel de petróleo há tempos, alegando que suas cotas restringiam suas exportações de petróleo de forma injusta.

O comunicado também menciona o desejo do governo de atender às demandas dos mercados de energia durante um período de tensão geopolítica causada pela guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que fez os preços do petróleo e do gás dispararem. Afirma ainda que o governo da nação do Golfo acredita que a demanda global por energia resultará em “crescimento sustentado” no médio e longo prazo.

“A decisão dos Emirados Árabes Unidos de sair da Opep reflete uma evolução política alinhada com os fundamentos de longo prazo do mercado”, escreveu o ministro da Energia do país, Suhail AlMazrouei, nas redes sociais. “Agradecemos à Opep e aos seus países membros por décadas de cooperação construtiva.”

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“Começo do fim da Opep”

O anúncio ocorreu em meio a tensões crescentes entre os Emirados Árabes e a Arábia Saudita — líder de fato do cartel. Outrora aliados próximos, os dois países do Golfo divergiram nos últimos anos, e Dubai tem trilhado cada vez mais seu próprio caminho na região, buscando laços mais estreitos com Israel e apoiando um grupo separatista armado no sul do Iêmen.

A guerra no Irã parece ter acirrado a disputa, devido à preferência por estratégias diferentes sobre como responder aos ataques retaliatórios iranianos contra aliados dos Estados Unidos na região. Os Emirados Árabes — que abrigam uma importante base militar americana — foram o principal alvo das milhares de ofensivas com mísseis e drones da República Islâmica. Autoridades emiradenses expressaram insatisfação com a resposta de organizações multilaterais regionais, incluindo o Conselho de Cooperação do Golfo e a Liga Árabe, sugerindo que teriam preferido uma postura unificada mais dura contra o Irã.

O governo emiradense aderiu à Opep em 1967 e sua saída deixará o grupo com 11 membros. De acordo com os dados mais recentes, o país produz 2,9 milhões de barris de petróleo por ano, enquanto a Arábia Saudita coloca 9 milhões de barris nos mercados anualmente. Saul Kavonic, chefe de pesquisa de energia da MST Financial, afirmou que este é “o começo do fim da Opep”.

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“Com a saída dos Emirados Árabes Unidos, a Opep perde cerca de 15% de sua capacidade e um de seus membros mais cooperativos. A Arábia Saudita terá dificuldades para manter o restante da Opep unida e, na prática, terá que assumir sozinha a maior parte do trabalho pesado em relação à conformidade interna e à gestão do mercado”, alertou o analista em entrevista à emissora britânica BBC. “Isso representa uma reconfiguração geopolítica fundamental do Oriente Médio e dos mercados de petróleo”, acrescentou ele.

Especialistas também afirmam que isso deve levar a um mercado de petróleo potencialmente mais volátil, à medida que a capacidade do cartel de suavizar os desequilíbrios de oferta diminui. “A implicação a longo prazo é uma Opep estruturalmente mais fraca, que não poderá controlar os preços da mesma forma que fazia no passado”, disse Jorge Leon, analista da Rystad Energy.



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