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O ex-jogador de basquete Oscar Schmidt, que morreu aos 68 anos nesta sexta-feira, 17, encarou com força e resiliência o diagnóstico de câncer cerebral em 2011. Segundo a prefeitura de Santana de Parnaíba, ele passou mal em casa e foi levado pelo serviço de resgate ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA) em parada cardiorrespiratória, mas chegou ao local sem vida.
Embora não tenha escondido a emoção e as lágrimas em várias ocasiões ao longo da luta contra o tumor, foi um paciente que cumpriu todas as etapas iniciais do tratamento e ajudou outras pessoas a enfrentarem a doença, inclusive em diversas palestras e ao contar sua história para o livro “Oscar Schmidt. 14 Motivos Para Viver, Vencer e Ser Feliz“.
Não era uma batalha simples. O câncer do sistema nervoso central (SNC) é considerado raro e, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), representa de 1,4 a 1,8% de todos tumores malignos no mundo. “Cerca de 88% dos tumores de SNC são no cérebro”, informa o órgão.
Após a confirmação da lesão, ele foi submetido a mais de uma cirurgia para remoção de tumores, além de sessões de radioterapia e de quimioterapia.
Durante 11 anos, realizou o tratamento e, em 2022, fez um anúncio de interrupção da quimioterapia. Isso chegou a ser confundido com um momento de desistência do homem que tantas vezes brigou até o último segundo para alcançar uma vitória.
O motivo, no entanto, foi relatado com o bom humor que era uma de suas características marcantes e deu esperança aos fãs. Classificando o episódio como uma “confusão danada”, explicou que tinha, na verdade, recebido alta.
“Não estou desistindo do meu tratamento. Recebi alta do meu médico. Estou seguindo o conselho do meu médico que acha que eu estou curado. E estou mesmo! Eu venci essa batalha!”, disse, em 2022, em vídeo publicado em sua conta no Instagram.
Câncer no cérebro
O câncer de cérebro não tem uma causa específica e, segundo o Inca, é classificada como uma doença multifatorial, de modo que as alterações que levam ao aparecimento do tumor são adquiridas ao longo da vida por exposição ou condições genéticas. O órgão estima 12.060 novos casos e 10.454 mortes por ano.
Os principais sintomas são dores de cabeça intensas e frequentes — às vezes acompanhadas de vômito —, epilepsia, crises convulsivas e perda de funções neurológicas.
Exames físicos, neurológicos e de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética com contraste são os principais métodos para o diagnóstico.
“Além dos exames de imagem, alguns tumores necessitam de investigação diagnóstica complementar com exames de laboratório, campimetria visual, audiometria e avaliação médica específica por outras especialidades”, explica nota informativa do Inca.
Segundo Jefferson Pimenta, oncologista especializado em tumores do sistema nervoso central do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, entre as lesões malignas, os gliomas são os tipos mais frequentes e o gliobastoma é o subtipo mais comum.
“A incidência aumenta com o envelhecimento e (os tumores) são mais comuns em homens. Eles têm alta morbidade e, por serem tumores heterogêneos, a sobrevida varia bastante”, diz o especialista.
Pimenta explica que chega a mais de 80% em cinco anos em casos de baixo grau e menos de 5% nos tumores mais agressivos.
O tratamento é definido a partir do tipo de tumor, identificado a partir de biópsia, e pode incluir cirurgia, quimioterapia e radioterapia.
“Embora alguns desses tumores respondam bem à radioterapia e à quimioterapia, esta resposta frequentemente não leva à cura dos pacientes. E uma vez não curados, a progressão desses tumores, comprimindo e infiltrando estruturas nobres, pode acabar sendo fatal”, explica o radio-oncologista Eduardo Weltman, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT).
Apesar disso, os tratamentos estão evoluindo. “Estamos tendo avanços significativos no tratamento nos últimos anos com terapias mais individualizadas que têm proporcionado ganhos significativos e aumento de vida com qualidade para esses pacientes”, afirma Pimenta.