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O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, disse estar “farto” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, colocando as ações do mandatário em pé de igualdade com as promovidas pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin. A declaração foi feita nesta quinta-feira, 9, em entrevista à emissora ITN, e deve deteriorar ainda mais as relações entre Washington e seus aliados na Europa, abaladas pelas consequências da guerra americana contra o Irã.
“Estou farto do fato de que as famílias e os negócios em toda a Inglaterra estão vendo suas contas de energia subirem e descerem devido às ações de Putin e Trump pelo mundo”, disse Starmer. Os comentários acontecem após o desembarque do premiê no Golfo Pérsico, onde terá conversas com autoridades de alto escalão visando mitigar os efeitos da guerra no Oriente Médio.
Starmer se disse insatisfeito com o cenário na região e discordou da visão de Trump sobre os ataques promovidos por Israel no Líbano — alvo de uma intensa discussão sobre uma possível violação da trégua firmada na terça-feira, 7. “Isso deveria parar. Essa é minha firme convicção e, portanto, não é uma questão técnica sobre ser uma violação ou não do cessar-fogo”, apontou.
“Nem todos temos acesso aos detalhes do acordo”, declarou Starmer, antes de completar: “Mas deixe-me ser bem claro — eles estão errados”.
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A postura de Starmer deve intensificar o afastamento entre os Estados Unidos e as nações europeias que integram a Organização do Tratado do Atlântico Norte, a Otan. Embora a aliança tenha resistido por décadas após a Segunda Guerra Mundial como um baluarte da segurança do Ocidente, Trump defende que ela não passa de um estorvo para Washington desde seu primeiro mandato, uma postura que tem se intensificado devido ao conflito contra o Irã.
Depois de semanas tentando, sem sucesso, angariar ajuda militar junto aos seus parceiros de longa data, o presidente americano radicalizou seu discurso sobre a entidade, chegando a defender abertamente a saída dos Estados Unidos. “A Otan não estava lá quando precisávamos deles, e eles não estarão lá quando precisarmos deles novamente”, disparou Trump em uma publicação na rede Truth Social na quarta-feira, 8.
A relação com Starmer, em particular, é ainda mais delicada. No início do conflito, o premiê não permitiu que os EUA utilizassem as bases britânicas em sua campanha de guerra. Embora a posição tenha sido revista posteriormente, causou um profundo mal-estar junto à Casa Branca, já que, historicamente, as instalações militares sempre estiveram disponíveis para bombardeiros americanos.