Belo Horizonte — O governo de Minas anunciou um pacote de medidas emergenciais e estruturais após o alagamento registrado no Hospital de Pronto Socorro João XXIII, na região centro-sul da capital, durante a forte chuva da última quarta-feira (8/4). O episódio atingiu principalmente o setor de imaginologia e gerou interrupções parciais no atendimento.

Segundo a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), já estão em andamento intervenções na estrutura do prédio, com foco na recuperação da laje e melhorias no telhado da área afetada. As equipes atuam desde o início desta sexta-feira (10/4), e a previsão é que essa primeira etapa seja concluída até o dia 24 de abril.

Entre as ações imediatas, o governo informou que será criado um novo acesso técnico ao telhado, por meio de um alçapão, para agilizar futuras manutenções. Também está prevista a ampliação da capacidade de drenagem de água da unidade, com instalação de pontos de alívio nas calhas, substituição de trechos do sistema e correções estruturais na laje.

Essas obras devem ser contratadas em caráter emergencial ainda em abril, com execução até maio.

No campo da prevenção, a Fhemig afirma que já implementou um sistema de resposta rápida para episódios de chuva intensa, com equipes de prontidão e uso de equipamentos como aspiradores de água, lonas e materiais de vedação. Até o dia 15 de abril, deve ser finalizado um protocolo de alerta meteorológico integrado à Defesa Civil de Belo Horizonte, que permitirá rondas preventivas em dias de risco.

Atendimento e impacto

Apesar das imagens que mostram corredores alagados e infiltrações próximas a equipamentos, a Fhemig sustenta que não houve suspensão dos atendimentos no hospital. De acordo com o órgão, o funcionamento foi mantido durante o episódio, e não houve perda de insumos nem danos aos aparelhos de imagem.

De acordo com o governo, na manhã de quinta-feira (9/4), o atendimento já havia sido normalizado, com pacientes sendo recebidos normalmente. No entanto, relatos de profissionais apontam que, durante a chuva, exames precisaram ser interrompidos e pacientes chegaram a ser removidos às pressas, inclusive em áreas críticas como a sala de politrauma.

Histórico e investimento

O caso reacende o histórico recente de problemas estruturais na unidade, considerada referência em urgência e emergência no estado. Em novembro do ano passado, infiltrações já haviam provocado interrupções parciais no atendimento.

Como resposta, o governo informou que há previsão de investimento de cerca de R$ 67 milhões para uma reforma geral do Hospital João XXIII, por meio da Secretaria de Estado de Saúde. As primeiras melhorias devem começar a ser entregues ainda em 2026.

O episódio também ocorre em meio a um cenário de tensão com servidores da rede, que suspenderam uma greve em março e aguardam avanço nas negociações com o Executivo estadual. Uma nova assembleia da categoria está prevista para os próximos dias.



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