
Recém-chegado ao PP, o deputado Danilo Forte foi lançado com o apoio do PSDB, partido do qual já fez parte, para a eleição do TCU. Irritado com a pulverização de candidaturas de legendas do Centrão e da oposição ao tribunal de contas, o parlamentar cearense afirma que a forma como as siglas se organizaram só beneficia Odair Cunha, nome indicado pelo PT para a disputa.
O PL, de Jair Bolsonaro, é o principal alvo das críticas. O partido chegou a apontar Hélio Lopes para a corrida ao TCU, mas, de última hora, atendeu aos apelos de Flávio Bolsonaro, que escolheu Soraya Santos. A estratégia do presidenciável do PL é constranger os petistas, que estariam sendo “hipócritas” ao não escolherem uma mulher para a eleição apesar de sempre demonstrarem compromisso com o empoderamento das mulheres.
“Causa preocupação a forma como determinadas candidaturas vêm sendo estruturadas. A movimentação da cúpula do PL, em vez de contribuir para um debate qualificado, acaba por reproduzir a polarização nacional e, na prática, beneficia diretamente o PT. Trata-se de uma incoerência evidente”, reclama Forte.
“Houvesse, de fato, compromisso com o processo e com a sua bancada, não teriam constrangido publicamente o deputado Hélio Lopes ou patrocinado uma candidatura marcada pela digital do baronato dos líderes. Isso não é apenas um desrespeito a ele, mas também às mulheres, já que, se a intenção fosse ampliar a diversidade do TCU, essa agenda teria sido assumida desde o início — e não de forma oportunista como agora”, acrescenta.
Apesar da candidatura de Forte, parlamentares do PP indicam, em caráter reservado, que podem votar em Odair para ajudar Hugo Motta a emplacar o candidato apoiado por ele. O presidente da Câmara selou o compromisso de indicar o petista para a vaga enquanto negociava a aliança com a legenda de Luiz Inácio Lula da Silva durante a eleição da Mesa Diretora.
Ainda assim, o postulante do PP ao TCU garante que não abrirá mão de sua candidatura mesmo “diante de pressões de cúpulas partidárias ou de decisões tomadas no restrito ambiente do colegiado de líderes”.
“Não temo o plenário — ao contrário, é nele que reside a essência da democracia da Câmara dos Deputados. É pela vontade soberana dos parlamentares, expressa de forma livre e transparente, que se deve decidir o futuro desta eleição. Se for para vencer ou ser derrotado, que seja pela manifestação legítima da maioria, e não por imposições prévias que desrespeitam a natureza plural da Casa”, desabafa o cearense.