O desconforto abdominal, a azia e a sensação de estufamento são frequentemente negligenciados e atribuídos apenas ao estresse. No entanto, o verdadeiro culpado pode estar no prato. Segundo a nutricionista e psicóloga Cibele Santos, hábitos culturais profundamente enraizados, como o café em jejum ou o uso de temperos prontos, funcionam como agressores silenciosos do sistema digestivo.

A especialista explica que a busca por alimentos “confortáveis” em momentos de ansiedade acaba criando um ciclo vicioso de inflamação gástrica e mal-estar físico.

Entenda

  • Agressão ácida: bebidas estimulantes sem acompanhamento sólido elevam a acidez estomacal de forma perigosa.

  • Riscos químicos: embutidos contêm substâncias que, além de irritantes, são classificadas como carcinogênicas pela OMS.

  • Distensão e flora: o gás e os adoçantes de bebidas industriais alteram a microbiota e causam inchaço abdominal.

  • Digestão lenta: alimentos gordurosos retardam o esvaziamento do estômago, favorecendo episódios de refluxo.

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O estômago é prejudicado pelo consumo de medicamentos, por vezes, consumidos sem prescrição médica
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As dores nem sempre são normais
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O perigo do “cafezinho” solitário

Para muitos brasileiros, o dia só começa após uma xícara de café. No entanto, quando consumida em jejum, a bebida torna-se uma vilã. A cafeína estimula a produção de ácido clorídrico e, sem nenhum alimento no estômago para “amortecer” esse efeito, o órgão fica exposto à própria acidez. A longo prazo, esse hábito é um convite para o desenvolvimento de gastrites erosivas.

Ultraprocessados e a “falsa praticidade”

A indústria alimentícia oferece soluções rápidas, como salsichas, presuntos e caldos em cubo, mas o preço para a saúde é alto. Porém, segundo a especialista, os embutidos são ricos em nitritos e nitratos, substâncias que agridem diretamente a parede estomacal. Já os condimentos prontos são verdadeiras bombas de sódio e glutamato monossódico, agressores diretos da mucosa.

Além disso, os refrigerantes — inclusive as versões zero — contribuem para o desconforto através da distensão abdominal causada pelo gás e pela alteração da flora intestinal provocada pelos edulcorantes artificiais.

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Gordura e refluxo

As frituras representam outro grande obstáculo para uma boa digestão. A gordura exige um esforço maior do organismo, o que retarda o esvaziamento gástrico. Isso significa que o alimento e o ácido permanecem em contato com a mucosa por muito mais tempo do que o necessário, o que gera a sensação de queimação e o refluxo gastroesofágico.

O elo entre mente e prato

Cibele Santos destaca que a relação com a comida é também emocional. “Como psicóloga e nutricionista, observo que muitas pessoas buscam alimentos ultraprocessados para aliviar a ansiedade. O resultado é um ciclo vicioso: o estresse agride o estômago, o alimento ‘conforto’ agrava a inflamação, e o desconforto físico gera ainda mais ansiedade”, explica.

Para quebrar essa cadeia, a recomendação da expert é a substituição consciente por alimentos naturais e a atenção aos sinais que o corpo envia após cada refeição. Priorizar comida de verdade e evitar o consumo isolado de estimulantes são os primeiros passos para recuperar a saúde digestiva.





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