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A Rússia lançou mais drones contra a Ucrânia em março do que em qualquer outro mês desde o início da guerra em 2022, revelou uma análise da agência de notícias AFP divulgada nesta quinta-feira, 2.
De acordo com o levantamento, baseado em relatórios diários da Força Aérea ucraniana, Moscou disparou pelo menos 6.462 drones de longo alcance no mês passado — um aumento de quase 28% em relação a fevereiro e o segundo crescimento mensal consecutivo. No mesmo período, foram disparados 138 mísseis, número cerca de 52% menor que no mês anterior.
A força aérea ucraniana disse ter interceptaram quase 90% dos drones e mísseis russos lançados, a maior taxa desde fevereiro de 2025.
O aumento dos ataques coincide com a estagnação das negociações lideradas pelos Estados Unidos para encerrar o conflito, após Washington direcionar sua atenção para a guerra contra o Irã, que já avança para sua quinta semana.
Guerra aqui, guerra lá
Enquanto isso, os países do Golfo têm demonstrado interesse na experiência ucraniana diante do aumento das tensões com o Irã. A Ucrânia concordou em fornecer a nações árabes seu sistema completo de defesa aérea, incluindo drones marítimos, guerra eletrônica e tecnologia de interceptação.
“Compartilhamos nossa experiência com o corredor do Mar Negro e como ele funciona. Eles entendem que nossas Forças Armadas têm sido altamente eficazes na desbloqueia do corredor do Mar Negro. Estamos compartilhando esses detalhes”, disse o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, após realizar uma visita em alguns dos países atacados por Teerã, incluindo a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos.
A guerra travada entre Estados Unidos, Israel e Irã tem pressionado a oferta internacional de petróleo, gás e derivados, elevando os preços de combustíveis mundo afora. O Estreito de Ormuz, vital rota por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo consumido globalmente, foi fechado por Teerã desde o início do conflito; refinarias, depósitos de combustível e petroleiros ligados a nações árabes aliadas de Washington tornaram-se alvos iranianos no último mês.
Sem trégua
Na segunda-feira, o líder ucraniano instou a Rússia a concordar com um cessar-fogo nos ataques contra instalações de energia, em meio ao agravamento crise global de petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio. “Se a Rússia estiver pronta para parar de atingir as instalações de energia ucranianas, não responderemos contra seu setor de energia”, disse o líder ucraniano a jornalistas, acrescentando que Kiev está aberta a uma trégua de Páscoa.
Moscou, por sua vez, ignorou, afirmando não ter recebido do governo ucraniano uma “proposta clara”. Na quarta-feira 1º, ataques russos com, mais de 360 disparos de drones, mataram pelo menos cinco pessoas na Ucrânia e destruíram infraestruturas civis, incluindo uma agência de correios.
Na semana passada, as forças do Kremlin já havia realizado um dos maiores ataques diurnos contra a Ucrânia desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, com mais de 900 drones e mísseis.