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Conhecido como o principal composto psicoativo da cannabis, responsável pelos efeitos associados ao “barato”, o THC (tetrahidrocanabinol) tem uma variante que vem chamando a atenção das mulheres Trata-se do THCV (tetrahidrocanabivarina), um canabinoide atualmente estudado pelo seu potencial de modular o metabolismo, auxiliar no controle do apetite e aumentar a disposição para atividades físicas –diferentemente da molécula mãe que dá fome e preguiça. Considerada um dos maiores bancos de dados de anamnese sobre cannabis na América Latina, a plataforma Bliss Data publicou recentemente uma pesquisa exclusiva com 453 pessoas sobre o uso da substância. Segundo o levantamento, o THCV tem maior adesão entre mulheres com mais de 45 anos, grupo que representa 62% das usuárias.
Pesquisada desde 2016, quando surgiram os primeiros estudos indicando seu potencial de captar da glicose no organismo. Desde então, outras propriedades foram exploradas, incluindo possíveis efeitos sobre o apetite e o gasto energético. Os estudos, no entanto, ainda são preliminares — não há ensaios clínicos de fase avançada que comprovem sua eficácia para emagrecimento. Historicamente, barreiras regulatórias sempre dificultaram o avanço das pesquisas com canabinoides, o que contribuiu para que parte das evidências se confirmassem na prática, com os pacientes, principalmente aos refratários às terapias convencionais. Um exemplo é o uso do CBD (canabidiol), hoje reconhecido no tratamento de formas específicas de epilepsia e regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina, que, há uma década, era praticamente contrabandeado por mães desesperadas em tratar filhos que não respondiam aos anticonvulsivos alopáticos do mercado.
A pesquisa sobre o uso do THCV foi realizada em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Os dados revelam um paradoxo no estilo de vida dos entrevistados: embora a maioria seja formada por profissionais ativos, muitos relatam dificuldades na rotina. Cerca de 67% mencionam cansaço e falta de foco, enquanto 40% relatam sentimentos de tristeza e irritação ao acordar. Mais da metade afirma fazer uso frequente de medicamentos convencionais sem obter os resultados esperados e, por isso, recorre a alternativas à base de cannabis, muitas vezes em busca de menos efeitos colaterais. Vale destacar, que os pacientes ouvidos são compradores recorrentes de THCV e que tiveram melhora nos sintomas relatados.