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A escalada da guerra no Oriente Médio volta a colocar o GLP e os combustíveis no centro das preocupações. O movimento começa pelo petróleo, que já subiu com a intensificação do conflito, elevando custos ao redor do mundo e pressionando cadeias produtivas. Esse efeito costuma chegar aos consumidores à medida que o insumo mais caro entra nos contratos e no abastecimento, ainda que com algum atraso.
Medidas paliativas
Para Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset Brasil, as medidas domésticas têm alcance limitado diante desse cenário. “Em relação ao diesel, ao GLP, são outras medidas, mas elas acabam sendo de alguma forma paliativas, porque quem determina esses preços de fato é o mercado internacional de commodities”, afirmou. Segundo ela, a pressão da guerra sobre o petróleo tende a se refletir internamente. “Se tem essa pressão do petróleo… é inevitável que você tenha essa pressão sobre os preços aqui dentro.”
Tempo de guerra
A economista também destacou que o ambiente externo piorou após sinalizações mais duras vindas dos Estados Unidos. “Ontem havia uma esperança de que esse discurso fosse ser um pouco mais amigável… e foi no sentido contrário. Então disse que vai durar mais tempo”, afirmou, ressaltando que a possibilidade de uso de mais força aumenta a incerteza. Com isso, o mercado opera em modo cautela, atento à duração do conflito e ao risco de interrupções na oferta.
Distorções
Do lado da precificação, Frederico Zornig, CEO da Quantiz Pricing Solutions, avalia que a tentativa de segurar valores, especialmente no GLP, pode criar distorções. “É uma certa ilusão a gente achar que consegue segurar preços, represar preços… Alguém paga essa conta. Não tem regra, não tem almoço grátis”, disse. Para ele, decisões podem até considerar o impacto social, mas o custo não desaparece. “Sempre vai ter alguém que vai ter que pagar essa conta.”
Equilíbrio
Zornig também chama atenção para o efeito direto da guerra sobre a oferta global. “Ninguém quer uma guerra que dure muito tempo… você tira 20% da oferta do mercado, preços vão subir. Oferta e demanda é o que joga no preço das commodities.” Esse cenário, segundo ele, torna o GLP particularmente sensível, já que depende do equilíbrio entre importação e preços competitivos.
Complexidade
Na avaliação do executivo, o próprio desenrolar do conflito adiciona complexidade ao cenário. “O Trump não esperava. Ele achava que ia resolver como foi resolvido na Venezuela… Irã reage, luta. Não é tão fácil assim a situação no Oriente Médio.” Enquanto a incerteza persiste, o mercado monitora a oferta global e a trajetória do petróleo — variáveis que, cedo ou tarde, acabam chegando ao preço do gás de cozinha.