
A Austrália anunciou um pacote de restrições à publicidade de apostas esportivas, em uma tentativa de reduzir a exposição da população — especialmente jovens, a campanhas de casas de apostas, que se tornaram onipresentes no país.
O governo do primeiro-ministro Anthony Albanese determinou que emissoras de rádio e televisão poderão exibir no máximo três anúncios de apostas por hora, entre 6h e 20h30.
Além disso, as propagandas serão proibidas durante transmissões esportivas ao vivo nesse intervalo.
As novas regras também impedem que empresas do setor estampem suas marcas em uniformes de equipes profissionais, atingindo um dos principais canais de visibilidade das chamadas “bets”.
Exposição massiva e pressão política
A decisão ocorre após anos de crescimento acelerado da indústria de apostas na Austrália, onde anúncios estão presentes em praticamente todos os tipos de competição esportiva, do surfe às corridas de cães.
A ampla exposição gerou pressão de organizações da sociedade civil e especialistas em saúde pública, que alertam para o aumento de problemas relacionados ao vício em jogos.
Segundo dados oficiais, os australianos perdem cerca de US$ 17 bilhões por ano com apostas, um dos níveis mais altos do mundo em termos per capita, considerando a população de cerca de 27 milhões de habitantes.
Tentativa de equilíbrio entre mercado e regulação
Ao anunciar as medidas, Albanese afirmou que o objetivo não é proibir as apostas, mas limitar sua presença no cotidiano.
A estratégia do governo busca um meio-termo entre a manutenção da atividade econômica do setor e a redução de danos sociais. A lógica é permitir que adultos continuem apostando, mas diminuir o impacto da publicidade sobre crianças e adolescentes.
Ainda assim, o pacote ficou aquém das demandas de grupos que defendem a proibição total de anúncios de apostas no país.
Tendência global de regulação
A iniciativa australiana segue uma tendência internacional de maior controle sobre a publicidade de jogos de azar, especialmente em mercados onde o setor cresceu rapidamente com a digitalização.
Países europeus têm adotado restrições semelhantes, limitando horários de exibição, proibindo anúncios durante eventos esportivos e impondo regras mais rígidas sobre patrocínios.
No Brasil, o debate também ganhou força. O avanço das plataformas de apostas online e o aumento de denúncias de irregularidades e impactos sociais têm levado autoridades a discutir regras mais duras para publicidade e operação do setor.
Impacto sobre mídia e esporte
As novas regras devem afetar diretamente receitas de emissoras e clubes esportivos, que passaram a depender fortemente de patrocínios de casas de apostas nos últimos anos.
A proibição de marcas em uniformes, em particular, tende a atingir contratos milionários e forçar equipes a buscar novas fontes de financiamento.
Para analistas, a medida marca uma mudança relevante na relação entre esporte, mídia e indústria de apostas, e pode servir de referência para outros países que enfrentam dilemas semelhantes.
Combate ao vício no centro da discussão
Especialistas em saúde pública apontam que a limitação da publicidade é uma das principais ferramentas para reduzir o número de novos apostadores problemáticos.
A exposição constante, especialmente em eventos esportivos populares, é vista como um fator que normaliza o comportamento e incentiva o engajamento precoce.
Com as novas regras, o governo australiano tenta conter esse efeito, em um movimento que reflete uma preocupação crescente com os impactos sociais de uma indústria em rápida expansão.