A contradição entre a sobreoferta estrutural de energia no Brasil e a manutenção de tarifas elevadas esteve no centro do primeiro painel do CNN Talks, realizado nesta quarta-feira (1).
O debate reuniu Reynaldo Passanezi Filho, CEO da Cemig, e Sandoval Feitosa, diretor-geral da Aneel, para discutir entraves regulatórios, necessidade de investimentos e os desafios para tornar o setor mais competitivo.
“Cerca de 20% da tarifa corresponde a subsídios incorporados ao sistema, o que, na prática, encarece a conta paga pelo consumidor”, afirmou Sandoval. Para o diretor-geral da Aneel, o setor precisa passar por uma reestruturação que permita conter o avanço das tarifas.
Na mesma linha, Passanezi afirmou que o país vive uma “disfuncionalidade” no setor elétrico e que a redução do custo da energia é uma condição necessária para ampliar a competitividade do país e atrair investimentos de longo prazo, inclusive em segmentos como o de data centers.
Investimentos em expansão
Apesar das críticas ao modelo, os dois participantes defenderam que o setor elétrico brasileiro tem bases sólidas. “O setor elétrico brasileiro é um sucesso. Temos um sistema absolutamente integrado 100% universalizado e 90% renovável. Isso se deve a estabilidade da regulação”, disse Passanezi.
Segundo o executivo, a confiança nesse ambiente explica o volume de investimentos previstos pela Cemig, que somam R$ 70 bilhões, dos quais 80% são destinados à rede elétrica de Minas Gerais. Nos últimos anos, Cemig se desfez de ativos minoritários fora do estado, como Light, Santo Antônio Energia e Renova, em movimento que gerou caixa e permitiu redirecionar os investimentos.
Nesse contexto, destacou o programa +Energia, por meio do qual a empresa prevê a construção de 200 novas subestações — 150 já entregues — com o objetivo de ampliar a capacidade da rede para viabilizar a expansão da geração renovável pelo setor privado.
Sandoval, por sua vez, ressaltou que a previsibilidade da atuação das agências tem sido decisiva para sustentar a expansão dos investimentos. Segundo ele, as distribuidoras investiram R$ 110 bilhões entre 2021 e 2024, valor que deve subir para R$ 180 bilhões no período de 2025 a 2028.