O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, afirmou nesta terça-feira (31) que não há, neste momento, qualquer negociação direta entre Teerã e Washington. Em entrevista coletiva, o diplomata reforçou que a troca de mensagens foi entre o Paquistão e os Estados Unidos.
“Essa troca de mensagens vai continuar, mas, como mencionei anteriormente, a opinião pública do Irã é contra quaisquer negociações com outras partes. Com veemência, eles pedem que as autoridades governamentais e militares iranianas não entrem nessas negociações”, disse Nekounam.
O diplomata explicou que a resistência popular é reforçada por experiências anteriores.
“A visão da opinião pública é que nós negociamos duas vezes com inimigos e, nas duas vezes, eles bombardearam as mesas de negociação. Desta vez, a opinião pública no Irã, especialmente por conta do assassinato do líder supremo, está contra qualquer normalidade com outras partes. Nenhuma autoridade iraniana conversou com uma autoridade americana”, afirmou.
O embaixador também afirmou que o país não vê limites para a resposta a ataques de Estados Unidos e Israel, garantindo que cada ação terá retaliação proporcional.
“O que nós não vamos permitir aos invasores é que o ciclo de guerra aconteça de novo; um ciclo que acontece com guerra, cessar-fogo e negociação. Nós vamos permitir que esse ciclo aconteça mais uma vez.”
Sobre o Estreito de Ormuz, via marítima crucial por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado mundialmente, o embaixador reiterou que o bloqueio imposto pelo Irã atinge apenas navios norte-americanos e israelenses.
“O estreito de Ormuz já estava aberto antes da guerra e está sob a gestão inteligente. Recebemos de algumas sugestões dos nossos amigos paquistaneses”, destacou o Nekounam.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.