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O novo governo do ultradireitista José Antonio Kast suspendeu a regularização de 182 mil migrantes no Chileuma medida que havia sido impulsionada pela gestão de seu antecessor, Gabriel Boric. A informação foi confirmada pelo Serviço de Migrações à agência de notícias AFP nesta segunda-feira, 30.

Segundo um comunicado enviado à agência de notícias, a gestão do agora ex-presidente Boric havia deixado pronto um decreto para regularizar cerca de 182 mil pessoas que participaram de um processo de registro de imigrantes que entraram de forma irregular no país.

“Não vamos promover uma regularização em massa como foi proposta no governo de Boric”, afirmou o diretor do Serviço de Migrações, Frank Sauerbaum, acrescentando que 6 mil dos 182 mil imigrantes já cometeram algum delito, sem detalhar quais teriam sido esses crimes.

Cerco à imigração

Kast assumiu a Presidência do Chile em 11 de março, na virada mais radical do país à direita desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet. O novo presidente promete impor uma linha-dura contra a imigração irregular e associa o aumento da criminalidade à chegada de migrantes no país.

Horas após tomar posse, o presidente chileno ordenou a construção de muros e valas na região fronteiriça com a Bolívia e o Peru. O chamado “Plano Escudo de Fronteira” determina alterações na legislação para “desencorajar a imigração irregular”, modificação das regras sobre o uso da força “para gerar mais ferramentas contra a entrada clandestina” e a construção de “barreiras físicas nas áreas necessárias”.

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Cinco depois de assumir, Kast viajou à região de Arica, na fronteira com o Peru, para supervisionar o início da construção de barreiras contra a entrada de migrantes nas três regiões do norte do país e deu um prazo de 90 dias para concluí-las. Nesta segunda, ele afirmou à imprensa que, nos últimos anos, “o Chile foi invadido pela imigração ilegal, pelo narcotráfico e pelo crime organizado”.

Atualmente, ao menos 337 mil estrangeiros vivem sem a documentação necessária no Chile, sendo mais da metade venezuelanos, segundo dados oficiais.



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