Um ataque iraniano a uma base aérea na Arábia Saudita destruiu uma aeronave militar dos Estados Unidos vital para o sistema de alerta e controle aéreo na guerra do Oriente Médio. A aeronave atingida foi um E-3 Sentry, avaliado em aproximadamente R$ 3 bilhões.
O E-3 Sentry é uma aeronave extremamente sofisticada que funciona como um centro de comando e vigilância aérea móvel. Diferente dos aviões de combate convencionais, esta aeronave não carrega bombas ou mísseis, mas opera como uma torre de controle aéreo militar voadora, sendo capaz de monitorar simultaneamente até 600 alvos em uma área de cobertura de aproximadamente 310 mil quilômetros quadrados – equivalente ao tamanho do estado de São Paulo.
A principal característica do E-3 Sentry é sua enorme antena em formato de disco instalada sobre a fuselagem, responsável por detectar ameaças a grandes distâncias. Segundo especialistas, o avião consegue detectar o lançamento de um míssil a 300 quilômetros de distância cerca de 85 minutos antes que um radar terrestre faça a mesma detecção, o que permite respostas rápidas e precisas a ataques inimigos.
Guerra assimétrica e inteligência militar
O ataque ao E-3 Sentry representa um exemplo da guerra assimétrica que o Irã vem desenvolvendo. Utilizando armamentos relativamente simples e baratos, como drones, que custam uma fração mínima do valor da aeronave americana, os iranianos conseguiram atingir um ativo militar de alto valor estratégico.
O incidente levanta questões sobre como os iranianos descobriram a localização exata da aeronave, que estava em solo no momento do ataque. Há suspeitas de que a Rússia possa ter fornecido informações de inteligência sobre a localização do avião, o que demonstraria uma cooperação entre os dois países contra interesses americanos na região.
A perda desta aeronave representa um golpe significativo para as operações militares dos Estados Unidos no Oriente Médio. Atualmente, a Força Aérea Americana possui uma frota de apenas 17 aeronaves deste tipo, número que já foi de 32 em 2015. Muitas destas aeronaves entraram em operação na década de 1970 e estão gradualmente se tornando obsoletas.