O treinamento físico para enfrentar o isolamento e a microgravidade no espaço é um dos pilares mais exigentes da preparação de astronautas, que vai muito além de simplesmente “se acostumar a flutuar”. Agências como a Nasa e a ESA desenvolvem protocolos rigorosos para preparar o corpo humano para um ambiente que desafia a fisiologia do corpo humano.

Na Terra, músculos e ossos trabalham constantemente para sustentar o peso do corpo. No espaço, essa carga praticamente desaparece devido à falta de gravidade. Como resultado, astronautas enfrentam perda de massa muscular, redução da densidade óssea e alterações no sistema cardiovascular.

Isso acontece porque, quando se está inserido na microgravidade, o corpo começa a mudar a anatomia e a fisiologia. Dessa maneira, quanto melhor a tripulação estiver fisicamente, maior será a bagagem de saúde para lidar com esse aspecto, além da radiação e o estresse, comuns em uma missão espacial.

Para combater esses efeitos, astronautas passam por cerca de um ano de treinamento físico intensivo antes de embarcar em uma missão espacial.

Segundo a Nasa, uma das principais ferramentas de preparação física é o uso de ambientes que imitam a ausência de peso.

O mais conhecido é o treinamento em piscinas gigantes, como o Laboratório de Flutuabilidade Neutra (NBL, na sigla em inglês), em que os astronautas usam trajes espaciais e realizam tarefas submersos.

A água simula a resistência que os empurra para cima devido à força de flutuação, equilibra a gravidade que os puxa para baixo. Isso significa que a água os faz sentir quase sem peso, assim como se sentiriam no espaço. Isso os ajuda a se preparar para as caminhadas espaciais e outras atividades que realizarão em órbita.

Outra técnica envolve voos parabólicos em que aeronaves realizam trajetórias específicas para criar breves períodos de microgravidade. Durante cerca de 20 a 30 segundos por ciclo, os astronautas experimentam a sensação real de ausência de peso, repetida diversas vezes ao longo do voo.

Treinamento muscular e resistência

Para evitar o enfraquecimento no espaço, o treinamento físico é intenso e focado em força e resistência. Os astronautas seguem rotinas semelhantes às de atletas de alto rendimento. Os principais exercícios, segundo a Nasa, são:

  • Exercícios de musculação com cargas elevadas;
  • Treinos aeróbicos para manter o condicionamento cardiovascular;
  • Rotinas específicas para coluna e membros inferiores, já que essas áreas são as mais afetadas pela microgravidade.

Esse preparo é essencial porque, mesmo que os astronautas façam exercícios a bordo, a perda muscular ainda ocorre, apenas em menor escala.

A preparação inclui também o desenvolvimento de disciplina para manter exercícios diários em órbita. Na Estação Espacial Internacional, astronautas precisam treinar cerca de duas horas por dia usando equipamentos adaptados, como esteiras com cintos de fixação e aparelhos de resistência.

Esse hábito é incorporado ainda no treinamento em solo, criando uma rotina de treinos que será essencial durante missões longas.

Adaptação ao corpo em “novo modo”

Outro desafio é o sistema de equilíbrio. Sem gravidade, o ouvido interno, responsável por orientar o corpo, fica “confuso”, podendo causar desorientação e enjoo nos primeiros dias.

Para minimizar esse impacto, os astronautas treinam com estímulos que desafiam o equilíbrio, como giroscópios humanos e cadeiras rotatórias, forçando o cérebro a se adaptar a essas condições sensoriais.



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