
Agora que o Supremo Tribunal Federal (STF) bateu o martelo sobre as regras da eleição extemporânea que vai ser organizada no Rio de Janeiro para definir quem vai concluir o mandato de Cláudio Castro, dois nomes despontam na corrida para o governo-tampão. A base do ex-governador vai tentar emplacar o deputado estadual Douglas Ruas (PL), ex-secretário de Cidades, enquanto a oposição voltou a ventilar o nome de André Ceciliano (PT), ex-presidente da Assembleia Legislativa.
Deputado de primeiro mandato, Douglas Ruas é pré-candidato pelo PL nas eleições de outubro. Ele mira o mandato-tampão para tentar ganhar projeção e fazer campanha já no Palácio Guanabara. Nas eleições diretas, vai enfrentar o ex-prefeito carioca Eduardo Paes, que aparece como franco favorito nas primeiras pesquisas de intenção de voto.
Ceciliano, por sua vez, é um nome conhecido da política fluminense. Foi secretário de Assuntos Legislativos no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) até a semana passada, quando pediu exoneração, de olho nos desdobramentos no Rio. Por enquanto, não há consenso em torno do nome dele, mas a oposição também não apresentou um nome alternativo.
O petista tem boa relação com deputados de diferentes matizes ideológicas – conseguiu o feito de se tornar presidente da Alerj em 2019, logo após a eleição do ex-presidente Jair Bolsonaro, em um período em que a bancada bolsonarista já era a maior da Casa e deu apoio.
O STF definiu que o voto será secreto, o que atende aos interesses da oposição, que tem esperança de conseguir articular nos bastidores uma candidatura alternativa à de Douglas Ruas. Nesse caso, “traições” dos deputados às suas bancadas são mais difíceis de serem penalizadas.
Antes da eleição-tampão, porém, a Assembleia Legislativa terá que fazer uma eleição para a presidência da Casa, em decorrência da cassação de Rodrigo Bacellar (União) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Uma votação-relâmpago realizada ontem, em uma manobra liderada pelo PL, consagrou Douglas Ruas presidente da Alerj, mas logo foi anulada pelo Tribunal de Justiça do Rio. A oposição pretende impulsionar Chico Machado (Solidariedade) para a disputa.
“Com essas duas candidaturas combinadas (André Ceciliano e Chico Machado) e com o voto secreto, a nossa chance de vitória nos dois cargos aumenta consideravelmente. Aí a chance de uma dobradinha é real”, projeta o deputado Carlos Minc (PSB) a VEJA.
A direção do PT no Rio não confirma o nome de Ceciliano. O partido quer “ampliar a aliança” para vencer a eleição para a presidência da Assembleia Legislativa, que deve acontecer na próxima semana, para depois definir o nome mais competitivo para o mandato-tampão. “Depois vamos ver quem é melhor para ganhar o governo”, afirma Washington Quaquá, vice-presidente nacional do PT.