Um homem procurado pela Justiça por suspeita de envolvimento em crimes financeiros, incluindo lavagem de dinheiro com ligação ao Banco Master, foi preso nesta quinta-feira (26/3), pela Polícia Militar (PM) na zona sul de São Paulo. A ação ocorreu após troca de informações com a Polícia Federal de Santos, que auxiliou na identificação do suspeito.

De acordo com fontes ouvidas pelo Metrópoles, o suspeito foi localizado dentro de um apartamento na Rua Luiz Migliano, região da Vila Andrade.

A PM informou que a abordagem foi realizada por equipes do 16º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M). Após a prisão, o suspeito foi encaminhado à sede da Polícia Federal (PF), na Lapa, na zona oeste da capital paulista.

O indivíduo já era considerado foragido da Justiça e teria participação em esquemas de crimes financeiros. O caso agora está sob responsabilidade da Polícia Federal, que deve aprofundar as investigações, especialmente sobre a possível relação com operações envolvendo o Banco Master.

O Metrópoles informou ainda que entrou em contato com a Polícia Federal, mas, até a publicação da reportagem, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.


Entenda a situação do Banco Master

  • O Banco Master enfrentou grave crise de liquidez ao longo do ano passado, que tornou o cumprimento de suas obrigações financeiras diárias impraticável e colocou em risco os depósitos e compromissos com investidores.
  • A instituição dependia de aportes do FGC para manter operações mínimas, mas a situação se deteriorou rapidamente devido ao acúmulo de passivos e à fragilidade da governança interna. Diante desse cenário, o BC decretou a liquidação extrajudicial em novembro de 2025, encerrando a atividade da instituição.
  • Antes da liquidação, houve tentativa de venda do banco ao BRB como forma de reorganização financeira e transferência de controle. A operação, no entanto, envolvia passivos superiores a R$ 50 bilhões e não conseguiu avançar devido à complexidade dos riscos e à falta de garantias suficientes.
  • A liquidação pelo Banco Central marcou o encerramento dessas negociações e a intervenção direta na administração do banco.
  • Além da crise financeira, o caso do Banco Master se tornou um escândalo político de grande repercussão. Investigações indicaram a existência de irregularidades na gestão da instituição e a participação de agentes ligados à esfera política, incluindo tentativas de facilitar operações de alto risco e influenciar decisões sobre a transferência de controle do banco.
  • O episódio provocou grande repercussão no Congresso Nacional e gerou questionamentos públicos sobre a condução das operações e a atuação do Banco Central.

Trajetória de Vorcaro na cadeia

Vorcaro foi preso, no dia 4 de março pela Polícia Federal (PF), na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades na gestão do Master e um suposto rombo de até R$ 40 bilhões no sistema financeiro.

Ele foi detido na casa onde mora, nos Jardins, um dos bairros mais caros de São Paulo, e levado para a Superintendência da PF, na zona oeste da capital, onde o cunhado dele, o pastor Fabiano Zettel, entregou-se no fim da manhã. Zettel é considerado o número 2 no esquema.

Os dois deixaram as instalações da corporação em uma viatura descaracterizada e foram levados ao Fórum da Justiça Federal para audiência de custódia.

Banco Master: procurado por lavagem de dinheiro é preso em SP - destaque galeria

Na audiência, foi mantida a prisão preventiva pedida pela PF e autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. O magistrado assumiu a relatoria do caso após ser identificada uma relação próxima entre o ministro Dias Toffoli e os alvos da investigação.

Do fórum, Vorcaro e Zettel foram levados para o Complexo Penal II de Guarulhos, pouco antes das 17h de quarta-feira, em um carro funcional da PF, com grades nas janelas. Para evitar registros pela imprensa, os acusados chegaram “encapuzados”, cobrindo os rostos com camisetas.

No dia seguinte, na quinta-feira (5/3), Vorcaro e Zettel foram transferidos para a Penitenciária de Potim, no Vale do Paraíba. E, na sexta-feira (6/3), o dono do Master deixou, sozinho, o sistema penitenciário paulista e foi encaminhado para um presídio federal em Brasília. 



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