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A Organização de Energia Atômica do Irã afirmou nesta sexta-feira, 27, que ataques dos Estados Unidos e de Israel atingiram uma instalação de processamento de urânio no centro do país.

“A usina Ardakan, localizada na província de Yazd, foi alvo há poucos minutos de um ataque do inimigo americano-sionista”, afirmou a organização em seu canal no aplicativo de mensagens Telegram. “As avaliações iniciais indicam que este incidente não resultou em qualquer liberação de materiais radioativos fora das instalações e, portanto, não há motivo para preocupação com os cidadãos ou as áreas vizinhas”, acrescentou.

A fábrica produz concentrado de urânio (yellowcake), etapa inicial no processamento do material radioativo que resulta em um produto em pó. O material é extraído de minério de urânio das rochas, separado de resíduos por meio de imersão em ácido. O yellowcake é essencial na produção de combustível nuclear, mas não pode ser usado diretamente em reatores. Em vez disso concentrado pode ser convertido, enriquecido para aumentar sua pureza e, em seguida, usado para produção de energia — ou armas.

Embora não haja evidências concretas de desenvolvimento de bombas atômicas no Irã, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão de fiscalização ligado às Nações Unidas, disse no início do mês que o país usava centrífugas avançadas na planta Natanz para enriquecer o urânio em até 60%, criando um estoque de cerca de 450 kg do material. O patamar está próximo dos 90% de pureza considerados necessários para a produção de uma bomba nuclear, e seria suficiente para confeccionar até 10 ogivas.

Programa nuclear

O programa nuclear iraniano está no centro das hostilidades entre Estados Unidos, Israel e Irã. A coalizão israelo-americana acusam Teerã de instrumentalizar seu programa atômico para fins bélicos e justificam a guerra como forma de impedir o avanço da República Islâmica em direção à bomba atômica, que Tel Aviv descreve como “ameaça existencial”. Embora as autoridades iranianas neguem qualquer tipo de projeto militar nuclear, reiterando que seu programa serve a fins civis e energéticos, a coalizão desencadeou um ataque conjunto ao país no dia 28 de fevereiro, dando início a um cenário de instabilidade generalizada no Oriente Médio.

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No plano de cessar-fogo apresentado pelo governo de Donald Trump ao regime dos aiatolás nesta semana, um dos 15 pontos exige o fim total do programa nuclear. A guerra começou em meio a negociações entre Washington e Teerã sobre o tema, que se encontravam em um impasse. O governo iraniano considera o movimento uma “uma traição à diplomacia” que torna uma reabertura do diálogo inútil. “Não há conversas nem negociações entre o Irã e os Estados Unidos. Ninguém pode confiar na diplomacia dos Estados Unidos”, atestou nesta semana seu porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Beghaei.

A tensão em torno do programa nuclear da nação persa se intensificou após a erosão do acordo firmado em 2015, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global, que impunha limites rígidos ao enriquecimento de urânio em troca do alívio de sanções. Desde a saída unilateral dos Estados Unidos do pacto, durante o primeiro mandato de Donald Trump, o Irã ampliou progressivamente seus níveis de enriquecimento e reduziu a cooperação com inspetores internacionais.



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