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O ministro Guilherme Boulos foi às redes sociais nesta sexta-feira, 27, se manifestar sobre a notificação extrajudicial enviada pela Uber pedindo que ele “se abstenha de proferir acusações inverídicas”, por conta de um vídeo em que o psolista critica políticos que se posicionam a favor dos interesses das grandes plataformas. A situação laboral dos trabalhadores por aplicativo (o que inclui não apenas a Uber, como outras comapanhias, como o 99, o iFood e a Rappi, por exemplo), está em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF).
No começo da semana, Boulos anunciou um pacote de medidas para regular a ação das plataformas com o seu colaboradores — o que inclui, por exemplo, a emissão de uma nota fiscal que discrimine o que fica com a empresa e o que fica com o prestador de serviço.
“A Uber me enviou uma notificação pelas críticas que fiz à empresa, que fica com até 50% do valor das corridas como ‘taxa de retenção’. Pensem bem: o carro é do motorista, ele que paga a gasolina, o risco é dele e o trabalho é dele. E a Uber fica com uma fatia enorme da corrida só por intermediar motorista e passageiro. É um absurdo! Podem ameaçar processar à vontade. O Governo do Brasil não vai recuar em defender os motoristas de aplicativo e nem se intimidar por ameaças de uma empresa estrangeira. Aqui não!”, disse Boulos no X (antigo Twitter).
A UBER me enviou uma notificação pelas críticas que fiz à empresa, que fica com até 50% do valor das corridas como “taxa de retenção”.
Pensem bem: o carro é do motorista, ele que paga a gasolina, o risco é dele e o trabalho é dele. E a UBER fica com uma fatia enorme da corrida…
— Guilherme Boulos (@GuilhermeBoulos) March 27, 2026
No último domingo, 22, Boulos publicou nas suas redes um vídeo com o título ““O iFood e a Uber estão mentindo para você”, criticando as políticas dessas companhias, que retêm taxas sobre o serviço prestado pelos seus colaboradores, com que não possuem vínculo empregatício. Desde que deixou a Câmara dos Deputados e foi para o governo Lula com o compromisso de não se candidatar em outubro, Boulos assumiu a função de dialogar com movimentos sociais e trazê-los para perto da atual gestão.
Por conta desse vídeo, na quinta-feira, 26, a Uber enviou uma notificação extrajudicial ao ministro pedindo que ele explicasse o que disse no vídeo e não repetisse, segundo a empresa, acusações “que extrapolam os limites da liberdade de expressão e atribuem à Uber conduta potencialmente criminosa não comprovada”. A Uber também disse que a fala do ministro “trouxe graves insinuações acerca do suposto pagamento a agentes públicos” pela companhia. A notificação é apenas administrativa e não tem natureza judicial, mas pode ser usada para fundamentar um futuro processo na Justiça.