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Um dia após a vizinha França confirmar uma crise petrolífera, o Congresso espanhol aprovou, nesta quinta-feira, 26, um pacote de 5 bilhões de euros (cerca de R$ 30 bilhões) proposto pelo governo para atenuar os efeitos da guerra no Oriente Médio, que inclui a “redução drástica” dos impostos sobre a energia.

O pacote de 80 medidas foi aprovado com 175 votos a favor, 33 contra e 141 abstenções.

As ajudas buscam “proteger o tecido produtivo e as pessoas mais vulneráveis”, explicou o primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez, ao anunciar a proposta na última sexta-feira. Entre as medidas, destaca uma redução do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) sobre o gás e os combustíveis de 21% para 10% a qual, segundo Sánchez, deve permitir uma diminuição dos preços nos postos de combustível de até 30 centavos de euro (R$ 1,81) por litro.

O preço da gasolina 95, na Espanha, subiu de 1,48 euro (R$ 8,90) por litro em 28 de fevereiro, dia em que começaram os bombardeios dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, para 1,80 euro (R$ 10,86) por litro no último fim de semana. Na quarta, logo antes do pacote ser votado, já despencou para 1,57 euro por litro, segundo dados do Ministério para a Transição Ecológica.

As medidas também preveem uma redução de 60% dos impostos sobre a eletricidade, mediante a suspensão do imposto sobre a produção de energia elétrica. Da mesma forma, concede uma ajuda direta de 20 centavos de euro por litro de combustível aos transportadores, agricultores, pecuaristas e pescadores, assim como uma ajuda equivalente para a compra de fertilizantes.

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Sánchez manifestou reiteradamente sua oposição à guerra contra o Irã, por considerá-la “ilegal” e fora do marco internacional.

“Cada bomba que cai no Oriente Médio acaba atingindo, como já estamos vendo, o bolso das nossas famílias”, disse o premiê na quarta-feira, em um discurso perante o Congresso. Neste tenso contexto internacional, o Executivo teme uma desaceleração da economia, a quarta da zona do euro e atualmente uma das mais dinâmicas da Europa.

Europa sob pressão

Na quarta-feira, o ministro das Finanças francês, Roland Lescure, revelou que entre 30% e 40% da capacidade de refino do Golfo Pérsico foi danificada ou destruída pelos ataques retaliatórios do Irã, causando um déficit de 11 milhões de barris por dia nos mercados globais de petróleo. Lescure alertou que a restauração das instalações danificadas pode levar até três anos, e a retomada das operações daquelas que foram fechadas com urgência, vários meses.

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Enquanto isso, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, viajou à Argélia para negociações emergenciais sobre energia, buscando garantir o fornecimento de gás natural liquefeito para a Itália, que luta para substituir o produto perdido do Catar, responsável por um quinto das exportações globais do combustível. Segundo informações obtidas pela agência de notícias Reuters, os ataques iranianos ao país do Golfo já reduziram em 17% sua capacidade de produção por três a cinco anos.

Com o fornecimento de combustíveis fósseis sob forte pressão, o Reino Unido e a Alemanha sinalizaram na quarta-feira que a crise energética deve acelerar suas transições para energias mais limpas.

Isso ocorre enquanto a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, assegura ao continente que a instituição possui diversas opções para lidar com o choque inflacionário desencadeado pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, prometendo que as autoridades não ficarão “paralisadas ​​pela hesitação”.



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