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O papa Leão XIV voltou a subir o tom contra a escalada militar no cenário internacional e classificou nesta quinta-feira, 14, o aumento dos gastos com armamentos na Europa como uma “traição” à diplomacia.

Durante discurso a estudantes da Universidade Sapienza, em Roma, o pontífice afirmou que o rearmamento europeu não deve ser tratado como investimento em defesa, mas como um fator de agravamento das tensões globais.

A declaração ocorre em meio à pressão crescente do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ampliem seus investimentos militares, em um contexto marcado pela guerra entre Rússia e Ucrânia e pelo conflito envolvendo o Irã.

“Não chamemos de ‘defesa’ um rearmamento que aumenta tensões e insegurança, empobrece investimentos em educação e saúde, trai a confiança na diplomacia e enriquece elites que nada se importam com o bem comum”, afirmou o papa.

Segundo dados do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri), os gastos militares europeus cresceram 14% em 2025, alcançando US$ 864 bilhões — a maior alta desde o fim da Guerra Fria.

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Além das críticas ao aumento dos arsenais militares, o papa alertou nesta quinta-feira para o uso da inteligência artificial em conflitos armados. Citando as guerras na Ucrânia, em Gaza, no Líbano e no Irã, ele afirmou que a tecnologia evidencia “a evolução desumana da relação entre guerra e novas tecnologias em uma espiral de aniquilação”.

Nos últimos meses, Trump intensificou cobranças para que os países europeus ampliem os investimentos em defesa. Em fevereiro, o republicano assinou uma ordem executiva que prioriza a venda de armamentos americanos a países com maiores gastos militares. Sob pressão de Washington, a Otan também apoiou neste ano uma nova meta de investimentos equivalente a 5% do PIB dos países-membros.

Papa reforça discurso contra guerras

Leão XIV tem feito críticas recorrentes à condução política das guerras contemporâneas. O pontífice já havia provocado irritação na Casa Branca ao condenar os ataques ligados à guerra do Irã, que entrou no segundo mês em março.

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No Domingo de Ramos, celebrado em 29 de março, o papa afirmou que Deus “rejeita” as orações de líderes que promovem guerras e declarou que eles têm “as mãos cheias de sangue”.

“Este é o nosso Deus: Jesus, Rei da Paz, que rejeita a guerra, a quem ninguém pode usar para justificar a guerra”, disse o pontífice diante de milhares de fiéis na Praça de São Pedro. 

Na ocasião, Leão XIV também afirmou que Jesus “não ouve as orações daqueles que fazem guerras”, em referência a uma passagem bíblica.



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