Manter a rotina ativa ao longo da meia-idade não é apenas uma recomendação genérica de saúde — é um fator importante para a longevidade. Um estudo publicado na revista PLOS Medicine indica que mulheres que seguem as recomendações oficiais de atividade física têm cerca de metade do risco de morrer ao longo dos anos seguintes, em comparação com aquelas que permanecem sedentárias.

Embora já se saiba que a atividade física traz inúmeros benefícios e reduz o risco de doenças crônicas e morte precoce, muitos estudos anteriores se basearam em uma única medida ao longo do tempo, o que não capta mudanças no padrão de atividade ao longo da vida.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores acompanharam mais de 11 mil mulheres entre 50 e 70 anos por quase duas décadas. As participantes foram comparadas em diferentes cenários: aquelas que mantiveram o nível recomendado de atividade física ao longo de toda a meia-idade, aquelas que passaram a se exercitar apenas mais tarde e aquelas que permaneceram inativas.

A recomendação analisada segue o padrão da Organização Mundial da Saúde (OMS): pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada a vigorosa.

Resultados

O resultado mais consistente apareceu entre as mulheres que mantiveram o hábito de se exercitar ao longo de toda a meia-idade e dentro das orientações oficiais. Nesse grupo, o estudo identificou “evidência de efeito protetor” para mortalidade por todas as causas, com um risco cerca de 50% menor em comparação com aquelas que não se mantinham ativas.

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Na prática, essa diferença também aparece em números absolutos: cerca de 5,3% das mulheres ativas morreram ao longo do acompanhamento, frente a 10,4% entre as que permaneceram sedentárias — praticamente o dobro.

Para mortes por doenças cardiovasculares e câncer, o efeito seguiu a mesma tendência e chegou a parecer até mais forte. Ainda assim, os autores ressaltam que há maior incerteza nesses resultados, possivelmente pelo número menor de mortes por essas causas na amostra.

Além disso, uma das hipóteses do estudo era avaliar se iniciar a prática de atividade física apenas aos 55, 60 ou 65 anos também reduziria o risco de morte, assim como praticar durante todo o período de meia-idade. Aqui, porém, os resultados foram mais cautelosos.

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Segundo os autores, “as evidências foram incertas para determinar se começar a cumprir as recomendações na meia-idade reduz o risco de mortalidade”.

Isso não significa que começar depois não valha a pena, mas sim que, neste estudo específico, não foi possível demonstrar esse efeito com segurança estatística.

Limitações

Embora o desenho do estudo seja robusto, com um período de acompanhamento longo e número grande de participantes, há limitações a considerar. Uma delas é que a atividade física foi autorrelatada por meio de questionários – ou seja, não houve monitoramento direto das participantes, o que pode introduzir erros e vieses.

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Além disso, a amostra incluiu apenas mulheres australianas, o que limita a generalização dos resultados para outras populações.

Ou seja, o estudo não muda o que já se sabe, mas refina a mensagem.

Não se trata apenas de “fazer exercício”. Segundo os autores, o ponto central é a consistência ao longo da meia-idade. “Mulheres devem ser encorajadas a manter níveis recomendados de atividade física ao longo de toda a meia-idade para obter benefícios de longevidade”, diz o artigo.



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