
A Rússia tem procurado reestabelecer a “parceria plena” com o Talibã no Afeganistão, afirmou um alto funcionário russo nesta quinta-feira, 14. A movimentação ocorre quase um ano após a Rússia se tornar o primeiro país a reconhecer o regime afegão. Na época, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que enxergava com otimismo as oportunidades comerciais e econômicas entre as duas nações, especialmente nos setores de energia, transporte, agricultura e infraestrutura.
Segundo a agência de notícias russa Interfax, o secretário do Conselho de Segurança, Sergei Shoigu, destacou que a cooperação com Cabul era importante para a defesa da região. Em uma reunião da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), Shoigu disse que Moscou vem reconstruindo um “diálogo pragmático” com o Talibã, orientando que o grupo retome o contato com o Afeganistão. A OCX é uma aliança intergovernamental que reúne dez países, incluindo China, Rússia e Irã.
O Talibã foi declarado como um movimento terrorista pela Rússia em 2003, mas a proibição foi suspensa em abril de 2025. A aproximação é estratégica. Em março de 2024, 149 pessoas foram mortas num ataque reivindicado pelo Estado Islâmico (EI) numa sala de concertos nos arredores de Moscou, capital da Rússia. Informações de inteligência dos EUA indicaram que a responsabilidade foi do braço afegão do grupo terrorista, o Estado Islâmico Khorasan (ISIS-K). Aproximar-se do Talibã é ter, portanto, uma espécie de escudo.
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Talibã no poder
O grupo liderou o país de 1996 a 2001. Depois de retomar o poder em 2021, o Talibã tentou projetar uma imagem mais moderada para obter apoio. Embora tenha feito inúmeras promessas à comunidade internacional de que protegeria os direitos das mulheres, a postura linha dura não parece ter mudado: mulheres não são permitidas em escolas, academias ou parques e foram barradas de trabalhar para a ONU.
Elas também são obrigadas a cobrir “completamente seus corpos na presença de homens que não pertençam à sua família” e a não falarem em público “ao saírem de casa por necessidade”. O texto também veta o transporte de mulheres sozinhas ou sem a companhia de um homem que não seja da sua família. Em 2024, 280 membros das forças de segurança do Afeganistão foram afastados por não deixarem a barba crescer, ao passo que o regime deteve mais de 13.000 pessoas por “atos imorais” no ano anterior.