A série brasileira Emergência Radioativa furou a bolha e entrou no top 10 de produções mais vistas do mundo da Netflix. Baseada em uma tragédia real que aconteceu em Goiânia, a produção estrelada por Johnny Massaro estreou no dia 18 de março e ficou em 4º lugar no ranking, com 3,8 milhões de visualizações em uma semana, entrando no ranking de mais vistos de 23 países da América, Europa e África.

Além de ser a série mais vista no Brasil, Emergência Radioativa também ficou em primeiro lugar na República Tcheca e na Eslováquia. O drama, baseado em uma história real, também atiçou a curiosidade dos assinantes na Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Peru, Paraguai, El Salvador, Uruguai, Venezuela, Espanha, Croácia, Itália, Polônia, Portugal, Romênia, Turquia, Ilhas Maurício e Ilha da Reunião.

Do que fala a série Emergência Radioativa

Em setembro de 1987, Devair Ferreira, dono de um ferro-velho em Goiâ­nia, comprou de dois catadores uma cápsula de chumbo encontrada nas ruínas de uma antiga clínica. No apagar das luzes, notou que o material emitia um brilho azulado, vindo de um pó fino em seu interior. Encantado com a descoberta, e sem noção sobre o perigo que aquilo representava, levou o material para casa, mostrou para toda a família e deu um punhado dele de lembrança para amigos e parentes. Mas o pozinho brilhante não tinha nada de mágico: era césio-137, substância altamente radioativa que alimentava uma máquina de radioterapia abandonada sem nenhum cuidado numa clínica desativada. Com a exposição, as pessoas começaram a adoecer rapidamente, e sem explicação aparente, dando início ao maior acidente radioativo da história do Brasil, retratado em detalhes na minissérie Emergência Radioativa.

Protagonizada por Johnny Massaro, que dá vida ao físico que descobriu a contaminação radioativa, Emergência Radioativa é a produção mais recente a tratar do caso, mas não a única: o acidente de Goiânia foi mencionado no premiado curta documental Ilha das Flores (1989) e dramatizado no longa Césio 137 — O Pesadelo de Goiânia (1990), de Roberto Pires, além de ser tema de diversos documentários e livros que recontam a história como forma de alerta sobre os perigos e consequências da exposição radioativa e da importância de protocolos rígidos ao lidar com materiais desse tipo.

Sem conhecimento do perigo que corria e negligenciada pelas autoridades, a população de Goiânia virou presa fácil: com todos ao seu redor adoecendo, a esposa de Devair, Maria Gabriela, chegou a levar a cápsula radioativa para a Vigilância Sanitária, alertando que aquela poderia ser a causa dos adoecimentos. A queixa, no entanto, não foi levada a sério de imediato, o que fez com que a contaminação demorasse a ser contida. Nesse meio-tempo, milhares de pessoas foram expostas ao risco e padeceram durante anos com as consequências do acidente. Oficialmente, quatro pessoas morreram nos dias seguintes à exposição ao césio, incluindo Maria Gabriela e a pequena Leide das Neves, de 6 anos, que acabou ingerindo o material ao comer com as mãos contaminadas após brincar com o pozinho brilhante levado para casa pelo pai.

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Os números, porém, foram bem maiores no longo prazo: segundo a Associação das Vítimas do Césio 137, ao menos 107 pessoas morreram nos anos seguintes de problemas desencadeados pela radiação e cerca de 1 600 foram afetadas diretamente pelo acidente — todas elas vítimas de um descaso radioativo sem precedentes.

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