
A presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, destituiu nesta quarta-feira, 25, o embaixador do país na Organização das Nações Unidas (ONU), Samuel Moncada, depois de quase 10 anos no cargo. De acordo com a chefe do Executivo venezuelano, o diplomata será realocado para “novas funções internacionais”. Escolhido pelo presidente venezuelano deposto Nicolás Maduro, o diplomata foi nomeado em 2017.
Em anúncio no X, antigo Twitter, Rodríguez divulgou a nomeação de Comoroto Godoy, atual ministra do Comércio Exterior, para o posto. Ela afirmou que Caracas confia “em sua experiência e vasta carreira diplomática para consolidar a presença da Venezuela no Sistema das Nações Unidas, defendendo nossos interesses e fortalecendo as relações de cooperação em todos os espaços internacionais”.
Na dança das cadeiras, o economista Johann Álvarez Márquez substituiu Godoy na liderança do Ministério do Comércio Exterior. Segundo a presidente, Márquez assume a responsabilidade num momento crucial para a “promoção de uma economia produtiva e diversificada”.
+ Após demitir ministro da Defesa, presidente da Venezuela substitui todo o alto comando militar
Mudanças sob pressão dos EUA
Desde que assumiu a presidência interina da Venezuela, em janeiro, Delcy tem promovido mudanças no governo e em leis econômicas, incluindo a abertura do setor de petróleo a empresas estrangeiras e a aprovação de uma anistia para presos políticos. Sob pressão dos Estados Unidos e até mesmo sob ameaça de violência, ela tem a missão de liderar um país com as maiores reservas de petróleo do mundo, mas com uma economia em frangalhos e escassez generalizada de alimentos, medicamentos e outros itens básicos.
Nos últimos meses, a líder venezuelana promulgou uma lei de anistia histórica para libertar presos políticos encarcerados sob o regime de Maduro e alterou as regulamentações de petróleo e mineração de acordo com as exigências do governo de Donald Trump para acesso às vastas riquezas naturais do país. O presidente americano chegou a afirmar que, na prática, ele controla a Venezuela e “permitirá” que Rodríguez permaneça no poder enquanto servir aos interesses dos Estados Unidos.
A interina encontra-se na delicada posição de tentar satisfazer tanto Trump quanto os venezuelanos ainda leais a Maduro. As Forças Armadas venezuelanas, que juraram lealdade a ela, são uma entidade poderosa. Elas supervisionam empresas de petróleo, mineração e distribuição de alimentos, bem como operações alfandegárias e ministérios-chave do governo, em meio a alegações de abuso e corrupção.