Ler Resumo

O vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossio, afirmou no domingo 22 que a ilha está preparada para qualquer ofensiva dos Estados Unidos, após uma série de crescentes ameaças do presidente americano, Donald Trump, sobre a possível tomada do território caribenho.

No início deste mês, Havana e Washington abriram diálogo com representantes dos Estados Unidos para “identificar os problemas bilaterais que precisam de solução”, informou o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, enquanto o bloqueio de petróleo imposto por Trump agrava a crise econômica do país governado há décadas pelo Partido Comunista. Na segunda passada, o ocupante do Salão Oval intensificou as ameaças, dizendo que esperava ter a “honra” de tomar Cuba.

“Nosso país historicamente esteve pronto para se mobilizar como nação para uma agressão militar. Não acreditamos que seja algo provável, mas seríamos ingênuos se não nos preparássemos”, disse de Cossio em entrevista à emissora americana NBC, em programa exibido no domingo. “Não vemos por que isso teria que acontecer e não encontramos nenhuma justificativa.”

Mudança de regime

Com base em informações de autoridades com conhecimento do assunto, o jornal americano The New York Times havia informado anteriormente que membros do governo do presidente Donald Trump teriam solicitado a Havana a destituição de Díaz-Canel sem a intenção de derrubar totalmente o regime comunista na ilha – aos moldes do que fez na Venezuela pós-Nicolás Maduro. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, negou que este seja o plano.

À NBC, de Cossio afirmou que qualquer sugestão de que a natureza, a estrutura ou a escolha dos membros do governo cubano estejam sujeitos a negociação com os Estados Unidos é falsa. Ele acrescentou que uma mudança de regime está “absolutamente” fora de cogitação nas discussões com o governo Trump.

Continua após a publicidade

Na última quinta-feira, o general Francis Donovan, chefe do Comando Sul, unidade do Exército dos Estados Unidos responsável pela América Latina e Caribe, afirmou ao Senado durante audiência sobre o aumento da presença militar na região que as forças americanas não estão se preparando para uma invasão a Cuba, nem para tomar o controle da ilha.

No entanto, Donovan declarou que o Pentágono está pronto para lidar com quaisquer ameaças à embaixada americana em Havana, defender sua base na Baía de Guantánamo e auxiliar o governo Trump na lida com fluxos migratórios em massa da ilha, se necessário.

Baque econômico

Cuba sofreu um severo impacto econômico desde que os Estados Unidos efetivamente bloquearam suas compras de petróleo no início deste ano, privando sua antiga rede elétrica da principal fonte de combustível. A maior parte dos 10 milhões de habitantes da ilha ficou sem energia na segunda-feira passada, quando o primeiro colapso da rede elétrica em todo o país obrigou-os a cozinhar com gás, à luz de tochas e velas.

Continua após a publicidade

O governo reduziu o horário de aulas em escolas e adiou eventos esportivos, enquanto o lixo se acumula em alguns bairros devido à falta de combustível para os caminhões de coleta.

A crise energética na ilha piorou após a captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, pelas forças americanas, o que interrompeu abruptamente os envios de combustível de Caracas, principal fornecedor de Cuba nos últimos 25 anos. As Nações Unidas estão negociando com o governo Trump para permitir a entrada de combustível em Cuba para “fins humanitários”.

O republicano, por sua vez, não esconde o seu desejo por uma mudança no regime castrista, chefiado pelo Partido Comunista em território a apenas 150 km dos Estados Unidos. No início do mês, disse que que Cuba “vai cair muito em breve”; no início deste ano, o instou Havana a “chegar a um acordo” ou enfrentar as consequências; também falou em uma “tomada amistosa” da ilha. “Eles não têm dinheiro, não têm nada agora, mas estão conversando conosco e talvez vejamos uma tomada amistosa de Cuba”, declarou.

Na semana passada, Díaz-Canel confirmou que seu governo abriu diálogo com representantes dos Estados Unidos, para “identificar os problemas bilaterais que precisam de solução”. No entanto, reiterou que qualquer tentativa de invasão será recebida com “resistência inabalável”.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *