A escalada do conflito no Oriente Médio pode gerar impactos relevantes para o agronegócio brasileiro, tanto pelo lado das exportações quanto pelos custos de produção. Um estudo do Insper Agro Global aponta que a instabilidade na região aumenta os riscos logísticos, energéticos e comerciais para o setor, especialmente em cadeias que têm forte dependência de mercados locais.

O alerta surge após os ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã no fim de fevereiro, seguidos por retaliações iranianas contra bases americanas no Oriente Médio. A rápida escalada do conflito ampliou as preocupações não apenas no campo militar, mas também sobre seus possíveis efeitos econômicos globais.

O Oriente Médio é um mercado relevante para os produtos do agro brasileiro. Em 2025, o Brasil exportou 12,4 bilhões de dólares em produtos agrícolas para países da região, o equivalente a 7,4% de todas as exportações do setor. Entre os principais destinos estão Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Além do valor total das vendas, o estudo destaca a dependência de algumas cadeias produtivas. O Oriente Médio absorve cerca de 29% das exportações brasileiras de carne de frango, o que corresponde a aproximadamente 1,5 milhão de toneladas. Também representa 31,5% das exportações de milho, 17% do açúcar e 6,5% da carne bovina. No caso do milho, a exposição é ainda mais evidente. O Irã foi o principal comprador do produto brasileiro em 2025, respondendo por cerca de 9 milhões de toneladas, o equivalente a 22% de todo o milho exportado pelo país naquele ano.

A instabilidade em rotas estratégicas como os estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb pode afetar o transporte marítimo internacional. Essas passagens são essenciais para o fluxo global de petróleo, gás e mercadorias e conectam rotas comerciais importantes entre Ásia, Europa e Oriente Médio.

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O impacto também pode chegar ao campo por meio dos fertilizantes. O Brasil depende de importações para suprir grande parte desses insumos, e cerca de 15,6% dos fertilizantes nitrogenados comprados pelo país têm origem no Oriente Médio. Eventuais interrupções logísticas ou aumento de preços na região podem pressionar os custos de produção agrícola.

Além disso, conflitos na região costumam elevar o preço do petróleo no mercado internacional, o que tende a encarecer combustíveis, fretes e também fertilizantes, cuja produção depende fortemente de gás natural e derivados energéticos. Segundo os pesquisadores, o tamanho do impacto dependerá da duração e da intensidade da crise. Caso o fluxo marítimo nas principais rotas comerciais seja mantido, os efeitos podem se limitar a episódios de volatilidade nos preços e nos custos logísticos.

Mesmo diante das incertezas, o estudo destaca que o agronegócio brasileiro tem histórico de adaptação e diversificação de mercados. Ainda assim, acompanhar a evolução do conflito será fundamental, já que estão em jogo não apenas importantes destinos de exportação, mas também rotas estratégicas do comércio internacional.



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