
O ex-diretor de Fiscalização do Banco Central do Brasil, Paulo Sérgio Neves de Souza, e o ex-servidor Belline Santana, afastados de suas funções por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), são apontados pela Polícia Federal como integrantes de uma espécie de “consultoria informal” prestada ao empresário Daniel Vorcaro por meio de um grupo de WhatsApp.
Daniel Vorcaro foi preso nesta quarta-feira (4). Já Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana não foram detidos, mas estão submetidos a medidas restritivas, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de manter contato com outros investigados.
De acordo com as apurações da Polícia Federal, Vorcaro recorria ao grupo para obter orientações estratégicas sobre como conduzir reuniões institucionais. Em uma das conversas, Paulo Sérgio, que havia sido recentemente nomeado chefe-adjunto de Supervisão Bancária no Banco Central, teria orientado o empresário sobre postura e abordagem em um encontro com o presidente da autoridade monetária.
As investigações também identificaram mensagens em que Vorcaro teria solicitado ações de intimidação contra pessoas que, na avaliação dele, poderiam prejudicar os interesses da empresa. Entre os alvos mencionados estariam empresários, ex-funcionários e jornalistas.
Em uma das trocas analisadas, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, descrito nas apurações como responsável por organizar iniciativas para reagir a críticas públicas dirigidas a Vorcaro, afirma que o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, “bate cartão todo domingo” ao publicar, segundo ele, reportagens consideradas prejudiciais ao empresário.
Na sequência das mensagens, Vorcaro sugere a possibilidade de colocar pessoas para seguir o jornalista. Mourão responde que buscaria “resolver” a situação. Em outro trecho, o empresário afirma que gostaria de “dar um pau” em Lauro Jardim, mencionando a ideia de agredi-lo em um suposto assalto. Mourão questiona se deveria avançar com a ação, e Vorcaro confirma.