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Militares dos Estados Unidos iniciaram uma operação no Equador, em parceria com forças de segurança locais, para combater grupos de narcotráfico que o governo Donald Trump classificou como “organizações terroristas estrangeiras” no país latino-americano, anunciou o Pentágono na terça-feira 3.
Em comunicado, o Comando Sul dos Estados Unidos, cujo raio de ação abrange 31 países da América do Sul, Central e do Caribe, afirmou que a ação representa “um exemplo poderoso do compromisso de parceiros na América Latina e no Caribe para combater o flagelo do narcoterrorismo” e enfatizou que ambos os países estão tomando uma “ação decisiva” contra grupos que semeiam violência e corrupção em todo o hemisfério. O Pentágono, no entanto, não informou quais grupos serão alvo das operações.
O Ministério da Defesa do Equador, por sua vez, comunicou na terça-feira que uma “nova fase contra o narcoterrorismo e a mineração ilegal” havia começado.
“As Forças Armadas Equatorianas continuarão a combater firmemente o crime organizado ao lado de aliados estratégicos, para a segurança dos equatorianos e o futuro pacífico de nossas famílias”, escreveu o ministério no X.
O anúncio se dá um dia depois que o presidente do Equador, Daniel Noboa, se encontrou com autoridades de defesa de ambos os países no Palácio do Governo, em Quito, para coordenar ações contra o crime organizado transnacional e fortalecer a segurança no Hemisfério Ocidental.
O mandatário equatoriano, seguidor de Trump que ascendeu ao poder com um discurso linha-dura contra o crime e já declarou “guerra às gangues” do país, disse que Washington estava entre os “aliados regionais” que participavam da operação contra os cartéis de drogas.
A nova manobra parece marcar uma expansão da Operação Lança do Sul do governo Trump, que, focada no cerco à Venezuela que precedeu a captura e deposição do ditador Nicolás Maduro, até agora matou 151 pessoas em ataques a barcos no Pacífico Oriental e no Caribe que, segundo o Departamento de Defesa americano, levavam drogas rumo aos Estados Unidos. As ações foram criticadas por organizações de direitos humanos, juristas e lideranças regionais como uma violação do direito internacional e execuções extrajudiciais.
Em setembro do ano passado, o Departamento de Estado de Marco Rubio, cubano anti-castrista que fez de sua missão como chefe da diplomacia dos Estados Unidos enfraquecer autocratas esquerdistas na América Latina, designou dois dos principais grupos criminosos do Equador — Los Lobos e Los Choneros — como organizações terroristas estrangeiras.
Cerca de 70% das drogas produzidas pela Colômbia e pelo Peru, primeiro e segundo maiores produtores de cocaína do mundo, respectivamente, são exportadas por meio de rotas no vizinho Equador.