
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 3, que a Marinha dos EUA poderá escoltar petroleiros que atravessem o Estreito de Ormuz, caso a escalada do conflito com o Irã ameace o fluxo global de energia. A declaração ocorre um dia após Teerã anunciar o fechamento da rota estratégica e alertar que incendiaria embarcações que tentassem cruzar a área.
“Se for necessário, a Marinha dos Estados Unidos começará a escoltar os petroleiros pelo Estreito de Ormuz o mais rápido possível. Aconteça o que acontecer, os Estados Unidos garantirão o LIVRE FLUXO DE ENERGIA para o MUNDO”, escreveu Trump na rede social Truth Social. O presidente afirmou ainda ter orientado a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos, uma agência federal americana, a oferecer “seguro contra riscos políticos e garantias para todo o comércio marítimo” que atravesse o Golfo.
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A fala ocorre em meio à intensificação da ofensiva iniciada no fim de semana, quando bombardeios de Israel e EUA atingiram o Irã, destruindo instalações militares e matando o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. Desde o início dos ataques, o petróleo americano acumula alta próxima de 10 dólares por barril, movimento que já começa a pressionar os preços da gasolina nos Estados Unidos.
De acordo com fontes familiarizadas com as discussões, ouvidas pela emissora CNN, Washington avalia garantir o seguro necessário para que navios-tanque continuem transitando pela região. Seguradoras marítimas elevaram prêmios de risco e, em alguns casos, cancelaram coberturas para embarcações que cruzam a área.
Um ex-funcionário do Departamento de Defesa afirmou que o Pentágono discute uma missão semelhante às operações realizadas no Mar Vermelho, quando os EUA deslocaram porta-aviões e destróieres para proteger a navegação comercial diante de ameaças de grupos alinhados ao Irã.
Relatos indicam que a estratégia atual deve priorizar a interceptação de mísseis capazes de atingir embarcações civis, mais do que confrontos navais diretos. Desde o início da ofensiva conjunta com Israel, forças americanas afirmam ter afundado 11 embarcações iranianas.
Na segunda-feira, o secretário de Estado, Marco Rubio, disse que o governo apresentará um plano para conter a disparada do petróleo, mas não detalhou as medidas.
O Estreito de Ormuz responde por cerca de 20% de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo. A passagem liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia, separando o Irã da Península Arábica. Em seu ponto mais estreito, tem apenas 33 quilômetros de largura, com faixas de navegação de cerca de 3 quilômetros em cada direção.
Na segunda-feira, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou o fechamento da rota e afirmou que qualquer navio que tentasse cruzá-la seria incendiado. Antes mesmo da declaração oficial, o tráfego já havia sido drasticamente reduzido.
Os membros da OPEP, Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque, exportam a maior parte do seu petróleo bruto pelo estreito, principalmente para a Ásia. O Catar, um dos maiores exportadores mundiais de gás natural liquefeito, envia quase toda a sua produção por lá.
Para o economista Sylvain Bersinger, fundador do escritório Bersingéco, essa situação faz “surgir o risco de um terceiro choque petrolífero, depois dos de 1973 e 1979 e após o choque do gás de 2022”.
“O cenário de um barril de petróleo que suba até 110 dólares (…) pode ser considerado um cenário crível”, disse à agência de notícias AFP.
Para economistas do banco francês Natixis, “qualquer interrupção duradoura” no estreito “teria implicações relevantes não apenas para os mercados de energia, mas também para a dinâmica da inflação e a estabilidade econômica global”.
Os primeiros reflexos já apareceram nas bolsas asiáticas e europeias, pressionadas pela busca de ativos considerados mais seguros. O dólar avançou cerca de 1% frente a outras moedas, enquanto o ouro também registrou alta semelhante, negociado a 5.298,90 dólares a onça. Caso o bloqueio se prolongue, analistas avaliam que o mundo poderá enfrentar uma nova rodada de volatilidade.