Um comandante da Guarda Revolucionária iraniana afirmou nesta terça-feira, 3, que o Irã poderá atingir “todos os centros econômicos” do Oriente Médio caso Estados Unidos e Israel mantenham bombardeios contra o território. A declaração eleva a tensão no conflito e amplia os temores sobre os reflexos da crise no mercado global de energia.

Segundo o general Ebrahim Jabari, qualquer ataque a infraestruturas estratégicas do país será respondido de forma proporcional. Em pronunciamento divulgado por agências estatais iranianas, ele advertiu que, se os adversários mirarem os principais centros iranianos, a reação de Teerã não ficará limitada ao seu território.

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A retórica ocorre após a ofensiva iniciada no fim de semana, quando bombardeios de Israel e Estados Unidos atingiram alvos estratégicos no Irã e resultaram na morte do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, além de outros integrantes do alto escalão do regime. Desde então, Teerã tem sinalizado que responderá com medidas capazes de atingir não apenas seus adversários diretos, mas também a estabilidade econômica da região.

O comandante também citou o Estreito de Ormuz, corredor marítimo entre o Irã e Omã por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. Na terça-feira, Jabari já havia afirmado que qualquer navio que tentar ultrapassar o bloqueio imposto por Teerã será incendiado.

Cerca de 20% do petróleo consumido no mundo passam pelo estreito, artéria estratégica que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia, separando o Irã da Península Arábica — com 33 km de largura no seu ponto mais estreito e faixa de navegação de apenas 3 km de largura em cada direção.

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Para o economista Sylvain Bersinger, fundador do escritório Bersingéco, essa situação faz “surgir o risco de um terceiro choque petrolífero, depois dos de 1973 e 1979 e após o choque do gás de 2022”.

“O cenário de um barril de petróleo que suba até 110 dólares (…) pode ser considerado um cenário crível”, disse à agência de notícias AFP.

Para os economistas do banco Natixis, “qualquer interrupção duradoura” do tráfego no estreito de Ormuz “teria importantes implicações para os mercados, mas também para a dinâmica da inflação e a estabilidade econômica global”.

Os mercados mais penalizados foram as bolsas da Ásia e as praças europeias, já que os investidores buscaram se proteger e apostaram em valores de refúgio como o dólar e o ouro. O dólar subiu 1% em relação a outras moedas e o ouro ganhou 1%, sendo negociado a 5.298,90 dólares a onça.



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