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O prefeito do Recife, João Campos (PSB), exonerou um secretário municipal para poder afastar da Câmara um vereador do PT  que assinou um pedido de CPI contra a gestão municipal. A assinatura do petista ocorreu mesmo com o partido estando na base de apoio de Campos, como noticiado por VEJA na segunda-feira, 2.

O então secretário de Direitos Humanos e Juventude, Marco Aurélio de Medeiros Lima, foi exonerado poucas horas depois de a CPI contra Campos ser protocolada na Câmara de Vereadores do Recife. A decisão foi divulgada nas redes sociais do prefeito e está no Diário Oficial do Recife desta terça-feira, 3. O movimento leva Marco Aurélio, que foi eleito vereador pelo PV, de volta para a Câmara, passando a ocupar novamente a vaga que estava sob suplência do petista Osmar Ricardo, que assinou a CPI contra João Campos.

“Marco Aurélio Filho deixa a secretaria após uma contribuição importante, marcada pelo diálogo, sensibilidade e compromisso social. Agradeço pelo trabalho realizado e tenho certeza de que seguiremos alinhados, agora também na Câmara, na defesa das pautas que fazem o Recife avançar com mais justiça e oportunidades para todos”, escreveu o prefeito nas redes.

Com a assinatura do petista invalidada, com a perda do cargo, o pedido de abertura da CPI contra João Campos foi arquivado nesta terça. “Decidi pelo arquivamento do pedido de instauração de CPI em razão do não preenchimento do requisito fato determinado”, diz documento assinado pelo presidente da Câmara, vereador Romero Jatobá Cavalcanti, o Romerinho (PSB), que é aliado do prefeito.

O vereador afastado, Osmar Ricardo, é o presidente municipal do PT desde setembro de 2025 e se envolveu no pedido de CPI, mesmo o partido estando na base de Campos, porque também preside o Sindicato dos Servidores Públicos do Recife (Sindsepre), e a investigação parlamentar proposta trata de um possível favorecimento ilegal de um concurseiro em detrimento de outro, de forma a retirar a vaga de um servidor público. Osmar Ricardo afirmou que seu afastamento é “preço que paga por defender o povo do Recife”.

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Nos bastidores da política, no entanto, já se fala que a governadora Raquel Lyra (PSD), opositora de João Campos, avaliar nomear uma outra vereadora do PV, Flávia de Nadegi, para abrir a vaga de suplente novamente para Osmar Ricardo e ele poder dar andamento à CPI junto de outros colegas da oposição. VEJA tenta contato com a governadora para checar a possibilidade. A relação de suplente tem relação direta com a existência da federação partidária entre PT, PV e PCdoB.

O que a oposição quer investigar

A CPI propunha tratar da nomeação irregular de Lucas Vieira da Silva para o cargo de procurador do município em uma vaga reservada a Pessoas com Deficiência (PCD), sendo que ele ficou na 63ª posição e, quando fez a prova do concurso, não possuía laudo de PCD e não concorreu às vagas afirmativas, mas apenas as de livre concorrência.

A nomeação, assinada por João Campos, estava em desacordo com o edital do concurso e gerava prejuízo a outro candidato, que tinha direito à vaga por já apresentar laudo de PCD quando fez a prova, e foi publicada no Diário Oficial do Município em 23 de dezembro de 2025. A nomeação ocorreu após um pedido de reclassificação de Lucas feito mais de três anos após o concurso, realizado em 2022 e homologado em junho de 2023.

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Em 29 de maio de 2025, Lucas Vieira solicitou a reclassificação para concorrer como PCD, pedido que foi negado por três procuradoras concursadas do município em decisões técnicas sucessivas. Mesmo assim, quando o caso foi encaminhado ao procurador-geral do município, Pedro Pontes, cargo comissionado indicado pelo prefeito João Campos, a situação foi revertida.

Após repercussão negativa do caso e pressão popular, a gestão municipal decidiu revogar a nomeação. Para a oposição, o caso infringiu dispositivos da Lei Orgânica do Município, da Lei de Improbidade Administrativa, do Decreto-Lei 201, e até do Código Penal.

Os vereadores também alertam para a suspeita de possível favorecimento do candidato, uma vez que Lucas Vieira é filho de uma procuradora do Tribunal de Contas do Estado e de um juiz que atua na vara de crimes contra a administração pública da capital, e que, em novembro de 2025, um mês antes da nomeação de Lucas, anulou os atos da Operação Barriga de Aluguel, que investigava a gestão de João Campos por possível desvio de verbas no valor de 500 milhões de reais.



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