
A poucos meses da escolha em definitivo dos candidatos que pleitearão cargos nas eleições deste ano, tem crescido a pressão para que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, dispute o governo de São Paulo e abra palanque para Luiz Inácio Lula da Silva no maior colégio eleitoral do país.
Em jantar na última semana, Lula teria dito a Haddad que precisa do auxiliar para que sua própria reeleição ao Planalto esteja garantida, afirmam aliados. O principal ministro da área econômica tem resistido à ideia, embora os apelos cada vez mais crescentes de Lula possam ter o poder de dissuadi-lo.
Um dos fatores que têm contribuído na pressão feita por Lula é o desempenho do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas últimas pesquisas eleitorais e a consolidação de sua candidatura como a representante do campo político da direita no país. Sondagem do Paraná Pesquisas divulgada na última semana mostra crescimento do primogênito de Jair Bolsonaro contra o atual presidente. No cenário de segundo turno, Flávio aparece — pela primeira vez desde que seu nome passou a ser testado nas pesquisas — numericamente à frente de Lula, com 44,4% do eleitorado, contra 43,8% de Lula.
A manifestação bolsonarista do último domingo, 1º, na Avenida Paulista, também serviu de alerta ao colocar Flávio como nome inconteste dos aliados e apoiadores do ex-presidente nas urnas neste ano. A ausência de lideranças como o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também contribuíram, até certo ponto, para sacramentar a união do espectro ao redor de Flávio.
Fato é que o entorno de Lula já tem a preocupação de que, com “o bloco na rua”, Flávio terá muito mais autonomia para fazer críticas cada vez mais contundentes à atual gestão. Tanto o senador quanto aliados têm focado o discurso em temas espinhosos como o aumento de impostos e da inflação, as investigações sobre o Banco Master e o escândalo do INSS e a implicação cada vez mais latente de Lulinha.
Com toda essa sinalização e a consolidação de uma chapa forte de direita em São Paulo, urge ao PT o lançamento de um candidato que faça frente e, embora reconheça-se a dificuldade e a improbabilidade de uma vitória, que esse postulante ao menos freie o crescimento de votos bolsonaristas no estado. E esse nome é o de Fernando Haddad.
Se, de um lado, há uma chapa com Flávio ao Planalto, Tarcísio ao Palácio dos Bandeirantes — e coordenando a campanha presidencial do senador no estado –, e Guilherme Derrite (PP) a uma das vagas ao Senado, do outro ventila-se Lula com Haddad a governador e as vagas ao Senado possivelmente distribuídas a aliados, entre eles as ministras do Planejamento, Simone Tebet (MDB), e do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede).
2022 versus 2026
Embora Haddad tenha sido derrotado pelo “forasteiro” Tarcísio em 2022 — o petista teve 44,73% dos votos no segundo turno, contra 55,27% do ex-ministro de Bolsonaro –, mas a sua performance foi considerada decisiva para a vitória nacional de Lula, que triunfou sobre Bolsonaro com uma vitória apertada (1,8 ponto percentual a mais que o adversário.
A leitura de interlocutores do ministro da Fazenda é a de que o cenário em São Paulo hoje é outro, menos dificultoso ao candidato do PT. À época, Bolsonaro era o presidente — hoje, não apenas é Lula o chefe do mais alto cargo da República, como o ex-capitão, condenado e preso, tem sido cada vez mais ostracizado do debate público. Sob este contexto e com a máquina pública na mão, o que permite diversos anúncios e entregas federais em São Paulo, a avaliação é a de que Haddad possa ter um desempenho não tão distante do atual governador Tarcísio de Freitas.