
Apenas um em cada quatro americanos aprova os ataques dos Estados Unidos com Israel ao Irã, revelou uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada neste domingo, 1°. A ofensiva aérea matou dezenas de comandantes militares, políticos e o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. A pesquisa foi iniciada ainda no sábado, quando a operação conjunta foi realizada, e coletou respostas online de 1.282 adultos no país. A margem de erro é de três pontos percentuais.
Cerca de 27% apoiaram os ataques, enquanto 43% as desaprovaram e 29% não tinham certeza. Segundo o levantamento, mais da metade dos entrevistados (56%) acredita que o presidente dos EUA, Donald Trump, está disposto a usar força militar para defender interesses americanos. Essa interpretação é compartilhada por 87% dos democratas, 23% dos republicanos e 60% das pessoas que não se identificam com nenhum partido político.
Além de Khamenei, o comandante do Estado-Maior das Forças Armadas, Abdolrahim Mousavi, o chefe da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), Mohammad Pakpour, o assessor próximo do líder supremo e que estava à frente do Conselho Nacional de Defesa, Ali Shamkhani, e o ministro da Defesa e Logística das Forças Armadas, Aziz Nasirzadeh, também foram assassinados.
Após os ataques no sábado, o Irã respondeu com uma onda sem precedentes de disparos retaliatórios por todo o Oriente Médio, visando vários países que abrigam bases militares americanas, incluindo Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos. Os ataques continuaram durante todo o fim de semana, matando civis, danificando propriedades e paralisando o tráfego aéreo e marítimo em toda a região.
Aberto para diálogo
Ainda neste domingo, Trump afirmou que concordou em conversar com o novo líder interino do Irã, Alireza Arafi. Em entrevista à revista americana The Atlantic, o republicano afirmou que Teerã deveria ter escolhido o diálogo antes, em referência às rodadas de negociações sobre o programa nuclear iraniano que fracassaram.
“Eles querem conversar, e eu concordei em conversar, então vou conversar com eles. Deveriam ter feito isso antes. Deveriam ter oferecido algo que era muito prático e fácil de fazer antes. Esperaram demais”, informou Trump em telefonema, acrescentando que não sabe dizer quando as tratativas serão realizadas.
O líder americano também apontou que algumas das autoridades iranianas envolvidas nas negociações nucleares foram mortas nos bombardeios, o que definiu como “um grande golpe” ao regime. Ele ressaltou que o Irã poderia “ter chegado a um acordo”, mas “jogaram sujo demais”. Questionado se prolongaria a campanha militar para apoiar um levante popular, Trump saiu pela tangente: “Tenho que analisar a situação no momento em que acontecer”, ponderou.