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Neste sábado, 28, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobrevoou as áreas mais devastadas pelas chuvas intensas em Minas Gerais, na Zona da Mata, para dimensionar a extensão dos estragos. O mau tempo começou na última segunda-feira e não deu trégua, provocando enchentes, deslizamentos e destruição generalizada de bairros. O presidente também deve se reunir com os prefeitos dos municípios afetados de Ubá, Juíz de Fora e Matias Barbosa para reforçar as ações de apoio às vítimas.
Até a manhã deste sábado, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais confirmou ao menos 66 mortes — 60 em Juiz de Fora e seis em Ubá — além de três desaparecidos: duas pessoas em Ubá e um menino de 9 anos em Juiz de Fora. As precipitações também deixaram milhares de desabrigados e desalojados, enquanto equipes de resgate seguem atuando em cenário de solo saturado e risco contínuo de novos alagamentos e deslizamentos. Em grande parte dessas cidades, bairros foram erguidos em encostas desmatadas e densamente ocupadas, o que fragiliza a estabilidade do terreno e amplia a vulnerabilidade a movimentos de massa.
A situação tende a se agravar. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém alerta de “grande perigo” para chuvas intensas até o fim deste sábado, com previsão de acumulados que podem chegar a 100 milímetros por dia, além de rajadas de vento capazes de agravar danos à infraestrutura. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) classifica como muito alta a probabilidade de novos episódios de enxurradas e inundações, especialmente em Juiz de Fora, onde o volume acumulado já supera mais que o dobro da média histórica de fevereiro.
Na véspera, Lula politizou o desastre ao criticar a gestão estadual de Romeu Zema, afirmando que o governador recebeu R$ 3,5 bilhões por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e não apresentou projetos estruturantes de prevenção a enchentes e deslizamentos. A declaração repercutiu no cenário político mineiro. Aliados de Zema argumentaram que a gestão ambiental envolve variáveis climáticas imprevisíveis e destacaram que os esforços de assistência vêm sendo ampliados. Até o momento, o governador não apresentou resposta direta às críticas, mas sua equipe reiterou a cooperação com o governo federal nas ações de resgate e apoio às vítimas.